As improváveis histórias da Kaaba e de Mecca – Artefactum
(14/01/2026)
A datação por carbono remodelou a forma como entendemos a história antiga. Datou pergaminhos, templos, cidades e textos sagrados em todo o mundo antigo, com notável precisão. Mas quando se trata de Mecca, algo incomum acontece.

Não há evidências datadas por carbono, que liguem a cidade ao seu alegado passado sagrado antigo. Não há camadas antigas, não há estruturas datáveis, não há vestígios materiais que remontem ao tempo em que se diz ter começado.
Ao mesmo tempo, a datação por carbono nos conta uma história em outro lugar sobre os primeiros manuscritos islâmicos, inscrições e edifícios que surgiram mais tarde do que a tradição assume.
Este texto não é sobre atacar Mecca. Trata de seguir as evidências e perguntar por que a cidade mais sagrada do Islã existe fora da linha do tempo arqueológica.
A tradição islâmica apresenta Mecca como uma das cidades mais antigas e mais sagradas da Terra. De acordo com fontes islâmicas posteriores, sua santidade não começa com Maomé. Ela começa com Abraão.
O Islã ensina que Abraão e seu filho Ismael viajaram para Mecca por ordem divina e construíram a Kaaba, como a primeira casa dedicada à adoração do único Deus verdadeiro. O Corão descreve a Kaaba como a primeira casa designada para a humanidade e coloca Mecca no centro do plano de Deus para a humanidade. A peregrinação à Kaaba é retratada não como uma nova prática islâmica, mas como uma restauração da antiga adoração abraâmica.
Dentro dessa estrutura, diz-se que Mecca era um santuário monoteísta muito antes do Islã. O paganismo é explicado como uma corrupção posterior da fé original de Abraão. A tradição islâmica sustenta que a Kaaba permaneceu de pé por séculos, até milênios, acumulando ídolos ao longo do tempo, mas nunca perdeu seu status sagrado.
O papel de Maomé é apresentado como um reformador que purificou o santuário e devolveu Mecca ao seu propósito original. O Islã também afirma que Mecca foi um importante centro de peregrinação religiosa ao longo da antiguidade. Tribos de toda a Arábia teriam viajado para lá regularmente, reconhecendo sua autoridade espiritual mesmo antes do Islã.
Isso é usado para explicar porque Mecca exerceu tanta influência durante a vida de Maomé e porque o controle da cidade era tão significativo. Biografias islâmicas posteriores e obras históricas vão além. Elas descrevem Mecca como um importante centro comercial, localizado ao longo das principais rotas de caravanas ligando o sul da Arábia ao Levante (Petra, Gaza, Jerusalém, Damasco). Sua prosperidade e proeminência são apresentadas como fatos estabelecidos há muito tempo, ajudando a explicar como uma cidade em um vale árido pode alcançar importância religiosa e econômica.

Tomadas juntas, essas afirmações formam uma narrativa coerente.
A datação por carbono é uma das ferramentas mais confiáveis que os historiadores usam para estabelecer quando algo existiu. Ela não interpreta teologia, lendas ou crenças. Ela mede a idade de materiais orgânicos, como madeira, pergaminho, ossos, têxteis e os coloca dentro de um intervalo de tempo definido cientificamente. Quando há material arqueológico disponível, a datação por carbono ancora a história a uma linha do tempo real.
Em todo o mundo antigo a datação por carbono fez exatamente isso.
Em Jerusalém, restos orgânicos de vários períodos, vigas de madeira, sementes, têxteis e pergaminhos foram datados por carbono para confirmar camadas de ocupação desde a Idade do Bronze até o período do Segundo Templo. Os “Manuscritos do Mar Morto”, encontrados em Qumran, foram datados por radio carbono para os séculos anteriores e próximos à época de Jesus, confirmando que os textos bíblicos existiam muito antes dos movimentos religiosos posteriores.
Na Babilônia e Nínive, a datação por carbono de material orgânico de camadas de destruição e fases de construção se alinha com as cronologias assíria e babilônica, já conhecidas, a partir de inscrições. Essas datas ajudam a confirmar quando as cidades surgiram, caíram e foram reconstruídas.
Em Petra, a capital nabateia, a datação por carbono de vigas de madeira, restos mortais e camadas de habitação confirma a ocupação sustentada séculos antes do Islã. No Egito, a datação por carbono fixou datas de templos, manuscritos e assentamentos ao longo de milênios.
O padrão é consistente.
Os centros religiosos antigos deixam vestígios datáveis.
A datação por carbono não prova sistemas de crenças. Ela confirma a presença, a continuidade e o desenvolvimento. Ela mostra quando pessoas viveram em algum lugar, quando as estruturas foram construídas e quando os textos foram escritos.
Quando uma cidade ou santuário reivindica uso sagrado antigo e contínuo, a arqueologia normalmente fornece pelo menos algum material que pode ser testado. Mesmo quando a escavação é limitada, as regiões circundantes geralmente produzem evidências datáveis que fixam a tradição no tempo. É por isso que a datação por carbono é importante na discussão histórica. Ela estabelece linhas do tempo onde as alegações podem ser verificadas em relação à realidade física.
E é precisamente essa expectativa padrão que torna a situação de Mecca incomum.
Apesar de seu papel central na crença islâmica, Mecca não produziu qualquer material arqueológico datado por carbono que confirme sua alegada história sagrada antes da antiguidade tardia. Não há camadas seguras datadas de habitação pré-islâmicas debaixo da Kaaba. Não há materiais de construção datados por carbono ligados a um período abraâmico. Não há inscrições pré-islâmicas da própria Mecca, que a identifiquem como um santuário monoteísta. Essa ausência não é porque a arqueologia ter refutado as alegações de Mecca. É porque a arqueologia não pode atualmente testá-las de forma alguma.
Mecca é uma das mais restritas zonas arqueológicas do mundo. Escavações em grande escala são proibidas. A construção moderna alterou drasticamente a paisagem antiga. Como resultado, não há registros estratificados que permitam aos historiadores examinar a ocupação contínua, o uso cultual ou o desenvolvimento arquitetônico ao longo de períodos de tempo.
Mas o silêncio vai além da própria cidade.

Fora de Mecca, também há uma falta de referências antigas independentes à cidade antes da Antiguidade Tardia. Fontes gregas, romanas, persas e do sul da Arábia, que descrevem rotas comerciais árabes, centros de peregrinação e grandes cidades não identificam claramente Mecca como um importante centro religioso ou comercial nos séculos em que a tradição islâmica a coloca no centro do culto abraâmico.
Isso é impressionante, especialmente quando comparado a outros locais árabes que aparecem repetidamente em registros externos. Isso não torna automaticamente a tradição islâmica falsa, mas significa que a tradição se baseia quase inteiramente em narrativas posteriores e não em confirmações materiais.
A datação por carbono, que serviu de base para as linhas do tempo de tantas cidades antigas, nada tem com que trabalhar no período inicial de Mecca. Na arqueologia, o silêncio não é prova, mas ainda assim é um dado. E quando a cidade mais sagrada de uma religião existe quase inteiramente fora dos registros arqueológicos do período em que afirma ter começado, os historiadores ficam com uma séria e inevitável pergunta:
“Por que Mecca está sozinha, sem o tipo de evidência material que ancora todas as outras antigas cidades sagradas no tempo?”
Embora o passado inicial de Mecca permaneça arqueologicamente silencioso, a datação por carbono têm produzido linhas do tempo claras e testáveis para materiais islâmicos antigos fora de Mecca. Um dos casos mais importantes é o “Palimpsesto de Sanaa”, descoberto no Iêmen em 1972. Testes de radio carbono datam o pergaminho do final do século 6 ao meio do século 7. O manuscrito contém um texto inferior apagado e um texto superior revisado, mostrando que o texto do Corão ainda estava em desenvolvimento e correção durante o período inicial do Islã. O significado não é uma discordância teológica, mas uma realidade histórica.
O Corão existia em forma material dentro do tempo, não fora dele.
O Corão do “Manuscrito de Birmingham”, fornece outra âncora. A datação por carbono coloca seu pergaminho entre 568 e 645 depois de Cristo, o que confirma que o material do Corão surgiu por volta do tempo de vida de Maomé, e não séculos depois. Mas também mostra que o Corão físico, aparece dentro de uma janela histórica estreita, não como um artefato antigo, que remonta à antiguidade profunda.

O Islã ensina que o Corão foi preservado perfeita e completamente, por meio da transmissão oral, desde o momento da revelação e que o texto escrito apenas registrou o que já estava fixado e não alterado na memória. Se essa fosse toda a história, nós esperaríamos duas coisas.
Um: “Uniformidade nos fragmentos escritos mais antigos”.
Dois: “Nenhuma evidência de desenvolvimento textual”.
Mas quando o manuscrito de Birmingham é analisado juntamente com outros materiais antigos, especialmente o Palimpsesto de Sanaa, surge um quadro mais complexo. As folhas de Birmingham representam uma forma escrita estável, mas não têm interpretação única. Outros manuscritos antigos mostram variações na redação, diferenças na ordem dos versos, correções e sobrescritas de múltiplas formas consonantais.
Isso nos diz algo importante.
A transmissão oral não impediu a fluidez textual inicial.
Em outras palavras, a memorização existia, mas não congelou o texto instantaneamente e universalmente. Portanto, novamente, não há material datado por carbono ligando Mecca à sua narrativa abraâmica devido à ausência de escavações. E isso levanta a questão óbvia:
“Por que não provar isso?”
Se Mecca realmente remonta a Abraão, como afirma o Islã, provar partes disso deveria ser fácil. Escavações, datação por carbono e evidências materiais confirmariam as alegações do Corão. No entanto, nenhuma prova desse tipo jamais foi produzida. O que poderia ser testado nunca foi testado. A história não é decidida apenas pelo que as pessoas acreditam, mas pelo que pode ser examinado. E quando as evidências consistentemente aparecem em todos os outros lugares, mas não aqui, o questionamento se torna inevitável.
Por que a cidade mais sagrada do Islã existe fora da linha do tempo arqueológica que ancora todos os outros centros sagrados antigos?
Artefactum
-o-o-o-
NOTA
O texto acima foi extraído das legendas deste vídeo publicado no Bitchute u neste link do Youtube.
A localização da origem do Islã está sendo muito contestada por pesquisadores não muçulmanos, como é o caso de Dan Gibson e Jay Smith, cujo resumo das descobertas deles podem ser lidas no artigo deste link.
O questionamento começou quando Dan Gibson descobriu que as primeiras mesquitas tinha sua direção de oração apontada para o norte, na direção de outros lugares, principalmente para Petra e Jerusalém.

Depois houve a descoberta da inexistência de referências a uma cidade chamada Mecca anteriores ao sétimo século depois de Cristo, embora houvesse muitas referências a várias outras cidades do planalto do Heras, não muito distantes de Mecca.
Outro fato importante é que Mecca não está sobre o planalto do Hejaz, na rota principal das caravanas e sim completamente fora da rota dos mercadores daquela época, além de estar mais abaixo e próxima ao mar Vermelho, num lugar árido.
Tanto é que atualmente toda a água potável para Mecca é provida pela dessalinização de água do mar, em grandes usinas da cidade de Jeddah, cidade fundada mais tarde especificamente para provisão de suprimentos para a crescente população de Mecca.
Todas as fontes e referências estão listadas na descrição do vídeo original, que pode ser acessado por este link.
Luigi Benesilvi
-o-o-o-
Ir para a Página Principal do Blog
Bitchute: https://www.bitchute.com/channel/ZfQcA8z7Ld2O/
Youtube: http://www.youtube.com/c/LuigiBSilvi
Rumble: https://rumble.com/user/Benesilvi
Twitter (X): @spacelad43Contato: spacelad43@gmail.com
