Porque não é possível separar a laica lei Sharia do Islã religioso – Raymond Ibrahim

(19/02/2026)

Em 10 de fevereiro de 2026, a Subcomissão Judiciária da Câmara dos EUA sobre a Constituição e Limites do Governo, realizou uma audiência de alto nível intitulada

“América Livre da Sharia: porque o Islã político e a lei Sharia são incompatíveis com a Constituição dos EUA”.

Tudo isso é muito bom, mas também levanta a questão:

“Qual é exatamente a diferença entre o Islã religioso, por um lado, e o Islã político e a lei Sharia, por outro lado?”

Pergunto isso porque parece que muitos ocidentais estão sofrendo do que é conhecido como “Falácia da distinção sem diferença“.

Considere estas duas posições que muitos no Ocidente parecem abraçar.

UM: “A liberdade religiosa é um dos pilares do modo de vida ocidental. Portanto, os muçulmanos e o Islã são bem-vindos no Ocidente.

DOIS: “A lei Sharia é contrária ao modo de vida ocidental. Portanto, a Sharia não tem lugar no Ocidente.”

Muitos americanos diriam, por exemplo, algo como:

“Acredito firmemente na liberdade religiosa. Como tal, acho inconcebível impedir que os muçulmanos venham, vivam e pratiquem livremente sua fé na América. Dito isso, sou um inimigo declarado da Sharia, que absolutamente não tem lugar na América”.

Há muitos exemplos de pessoas que falam e pensam dessa maneira, até mesmo as mais importantes. Começando pelo próprio presidente americano, Donald J. Trump, que  tem feito muitos gestos de boas-vindas e inclusão aos muçulmanos na América. No último Ramadã, ele divulgou a seguinte saudação:

“À medida que milhões de muçulmanos americanos iniciam suas celebrações do Ramadã, meu governo reafirma seu compromisso com a liberdade religiosa, que é parte integrante do modo de vida americano. Neste Ramadã, ofereço meus melhores votos. Que Deus abençoe vocês e suas famílias durante esta época maravilhosa.”

Mas Trump também disse:

“Qualquer pessoa que acredite que a lei Sharia suplanta a lei americana não receberá um visto de imigrante. Se você quer se juntar à nossa sociedade, então deve abraçar nossa sociedade, nossos valores e nosso modo de vida tolerante.”

Portanto, por um lado, Trump respeita e honra a liberdade religiosa de milhões de muçulmanos americanos durante a maravilhosa época do Ramadã. Por outro lado, ele rejeita firmemente a lei Sharia por ser contrária à nossa sociedade americana, nossos valores e nosso modo de vida tolerante.

Agora, essa maneira contrária de pensar exemplifica a falácia da distinção sem diferença, que muitos, se não a maioria dos americanos, cometem em relação ao Islã.

Eles parecem pensar que existe uma grande diferença entre ser muçulmano e ser adepto da Sharia, ser muçulmano e ser seguidor do Islã político. É por isso que apenas alguns americanos, especialmente seus políticos, estão dispostos a criticar o Islã, enquanto muitos não têm problema em criticar a Sharia. A realidade, é claro, é muito diferente.

Simplificando,

Islã é o nome descritivo da religião.

Sharia é a maneira prescritiva de professá-la.

Eles são inseparáveis. Ser muçulmano é, por definição, ser alguém que adere à Sharia. Isso é evidente até mesmo na etimologia das próprias palavras.

Islã significa “submissão” ou “rendição” e um muçulmano é aquele que se submeteu ou se rendeu. Submeteu-se ou rendeu-se a quê exatamente?

Bem, submissão à vontade de Allah. E o que a gente faz para saber qual é a vontade de Allah?

Bem, através de seu livro revelado, o Corão, através das palavras e ações do Profeta de Allah, Maomé, que foi enviado para ser um excelente exemplo a ser seguido pela humanidade, de acordo com o verso do Corão 33:21.

“Realmente, tendes no Mensageiro de Allah um excelente exemplo para aqueles que esperam contemplar Allah, deparar-se com o Dia do Juízo Final, e invocam Allah frequentemente”.

Em conjunto, os muitos mandamentos e proibições derivados do Corão e do exemplo de Maomé, ou Sunnah, mostram aos muçulmanos a maneira de viver, na verdade, o “caminho para a vida”, que é a definição literal da Sharia. No arábico clássico da época de Maomé, Sharia significava o caminho ou estrada para a água. Considerando as condições áridas e secas da Arábia, o caminho para a água era sinônimo do caminho para a vida, razão pela qual essa palavra foi escolhida para descrever a lei islâmica.

A Sharia, então, não é apenas como os muçulmanos devem viver, é o caminho para a própria vida. Nesse sentido, a Sharia não é tão diferente de como os primeiros textos cristãos, como a “Didache”, descrevem os ensinamentos de Cristo como o caminho para a vida, “ó ó‎dóç”, em grego.

Aqui, finalmente, chegamos ao problema fundamental. O modo de vida muçulmano é, em muitos aspectos, contrário ao modo de vida ocidental, sobretudo porque este último, pelo menos em suas origens, se baseava no modo de vida cristão. Pense nisso.

Ódio, discriminação e jihad contra não muçulmanos, espancamento de esposas, poligamia, escravidão sexual, punições draconianas, incluindo a morte por apedrejamento para adultério e pena de morte para quem “blasfema” contra Maomé ou tenta abandonar o Islã.

De fato, houve um excelente exemplo para vocês com Abraão e aqueles com que estão com ele, quando disseram ao seu povo: “Em verdade, estamos livres de vocês e de tudo o que vocês adoram além de Allah: nós os rejeitamos, e a hostilidade e o ódio começaram entre nós e vocês para sempre, até que vocês acreditem só em Allah. (Corão 60:4)

 “Façam Guerra contra aqueles que receberam as Escrituras [Judeus e Cristãos] mas não acreditam em Allah ou no Último Dia. Eles não proíbem o que Allah e Seu Mensageiro proibiram. Os Cristãos e Judeus não seguem a religião da verdade até que eles se submetam e paguem a taxa [Jizya] e eles se sintam humilhados”. (Corão 9:29)

“Quando a oportunidade surgir, mate os infiéis onde puder encontrá-los.” (Corão 9:5)

“Homens pode ter tantas mulheres quantas for confortável: duas, três ou quatro”. (Corão 4:3)

Tudo isso faz parte da Sharia, ou seja, tudo isso faz parte do modo de vida muçulmano, não menos do que os chamados 5 pilares do Islã;

Credo (Não há outro deus além de Allah e Maomé é seu único mensageiro),

Preces (5 vezes por dia, voltados para Mecca);

Jejum (durante o mês do Ramadã, não devem se alimentar durante a claridade do dia, mas podem comer à vontade durante a escuridão da noite)

Caridade (só deve ser praticada para necessitados muçulmanos) e

Peregrinação (ir fazer o ritual sagrado em Mecca pelo menos uma vez na vida).

Em resumo, ser um muçulmano praticante é ser um muçulmano que cumpre a Sharia. Eles são a mesma coisa.

Agora, se nos voltarmos para os desenvolvimentos em curso no Texas, que foi o que motivou a recente audiência da Câmara sobre a Sharia, fica claro que os americanos estão cada vez mais conscientes de que a Sharia, o modo de vida muçulmano, contradiz diretamente o modo de vida ocidental. E eles não têm problema em chamá-la pelo que veem, como na recente audiência da Câmara, que também contém a palavra Sharia.

Muitos deles, no entanto, ainda falam como se a Sharia fosse um acréscimo desnecessário ao Islã, algo ignorado pela maioria dos muçulmanos, uma opção, algo praticado apenas por aqueles radicais importunos. Se eles compreendessem o quanto inseparáveis são o Islã e a Sharia quando dizem coisas como:

 “A lei Sharia não é permitida no Texas“,

como Greg Abbott, governador daquele estado, regularmente afirma, eles entenderiam que o que realmente estão dizendo é que o próprio Islã não é permitido no Ocidente.

Raymond Ibrahim

-o-o-o-

NOTA

O texto acima foi extraído das legendas deste vídeo publicado no Bitchute.

A Lei Islâmica Sharia é um conjunto de textos provenientes do Corão, o livro mais sagrado do Islã, da Cira, uma biografia de Maomé e do Hadith, um tipo de “jurisprudência” sobre a interpretação do Corão e dos ditos e feitos que Maomé teria praticado.

Um artigo detalhado sobr a Sharia pode ser lido neste artigo de Peter Townsend.

A Lei Sharia é particularmente injusta com as mulheres, como pode ser lido neste texto de Immanuel Al-Manteeqi.

Luigi Benesilvi

-o-o-o-

Ir para a Página Principal do Blog
Bitchute: https://www.bitchute.com/channel/ZfQcA8z7Ld2O/

Youtube: http://www.youtube.com/c/LuigiBSilvi

Rumble: https://rumble.com/user/Benesilvi

Twitter (X): @spacelad43

Contato: spacelad43@gmail.com