História e diferenças dos Cavaleiros Templários e Cavaleiros Hospitalários – Raymond Ibrahim
(12/03/2026)
O reino de Jerusalém foi conquistado em 1099 ou como dizem os cristãos aqui, reconquistado e está sob o domínio dos Cruzados Cristãos.

E agora surge um novo problema. Eles criaram esse enclave e ele é seguro. É seguro porque vocês tem defesas. É um reino. E agora mais peregrinos do que nunca estão chegando, porque eles pensam:
“Ah, nossos irmãos estão lá e já criaram um pequeno nicho para nós.”
Eles têm Jerusalém. Então agora você tem uma grande massa crescente de peregrinos.
Mas adivinhe o quê?
Ao redor desses reinos ainda há muitos muçulmanos, todos eles ressentidos com o que acabou de acontecer. Foram derrotados, expulsos e perderam.
“Eles estão querendo vingar-se”.
E então esses peregrinos europeus que chegam são atacados no caminho. É ainda pior do que antes. Então, uma vez que você chegue a Jerusalém, estará seguro. E eles ainda estão viajando, caminhando pela Europa. E muitas vezes navegando. Eles iam para o porto de Jaffa, por exemplo, e então a fortaleza de Ashkelon, uma fortaleza enorme administrada por muçulmanos, que sempre quando os cristãos entravam num desfiladeiro estreito, eles simplesmente saíam e os assaltavam e matavam.
Então, o que acontece é que um homem, Hugues de Payens, ele é um Cruzado francês, que lutou na Primeira Cruzada, em 1099, voltou para a França e então decidiu voltar para a Terra Santa, estabelecer-se permanentemente. E ele estava devastado com o que estava acontecendo com os peregrinos. E então ele e outro cavaleiro, chamado Godfrey de Saint-Omer, reuniu 9 cavaleiros e criaram uma Irmandade, que se dedicava apenas a escoltar peregrinos para evitar que fossem atacados.
Eram apenas 9 cavaleiros, que se autodenominavam
“Os pobres companheiros soldados de Jesus Cristo”.

Pense na ideia, Jesus Cristo, pensavam eles, “Eu sou um soldado”. Isso era comum para eles. E eles eram realmente soldados. Na verdade, foi bem antes que ele se formaram inicialmente, em 1119. E mais tarde receberam a bênção do Patriarca de lá e do rei da época, que era Balduíno II, que lhes dá residência temporária em, no que pensavam ser o Templo de Salomão, mas é a Mesquita Al-Aqsa. E foi assim que eles receberam o nome de Templários, porque eles são os “Cavaleiros do Templo”.
E então, 10 anos depois, São Bernardo de Clairvaux começa a aparecer. Ele é uma figura muito importante. Na verdade, ele justifica e racionaliza muito, inclusive a partir da teologia. E ele fala sobre as 2 espadas de Cristo, uma secular e uma espiritual. Ele era fanático pelas ordens militares. E escreveu muito. Ele escreveu um livro chamado “The New Knighthood”, onde ele diz:
“Basta de cavaleiros lutando por ganhos e mundanismos. É hora de serem monges guerreiros de Deus.”
E muitos longos tratados que ele escreve. Tudo isso 10 anos depois, entre 1119 e 1129, no “Concílio de Trois”, eles se tornam formalizados e obtém o grau de uma Ordem e se tornam a primeira Ordem Militar da história.
E receberam a bênção do Papa e assim por diante. E o traje deles era branco, que simbolizava sua pureza, porque eles tentavam viver uma vida cristã piedosa como monges. E alguns anos depois, eles também receberam a Cruz Vermelha simples como um distintivo, significando sua disposição de serem mártires em nome da cristandade, em nome de Cristo, em nome dos cristãos. Agora essa bandeira está associada a São Jorge, por causa de algum tipo de fusão. Mas realmente começou com os Cavaleiros do Templo.

E, de qualquer forma, essa foi a ascensão dos Cavaleiros do Templo. E para que servia? Porque pensavam:
“Já conquistamos Jerusalém, mas a guerra ainda continua. Ainda estamos cercados por inimigos.”
O objetivo principal deles, no início, era apenas proteger os peregrinos. Mas muito em breve, essencialmente, se especializaram em fazer isso, mas também em ser uma força de comando de elite dedicada a combater o Islã. E acho que a lógica se tornou:
“Se queremos proteger os cristãos, bem, então estamos de fato em guerra contra o Islã, porque os muçulmanos sempre vão atacar.”
Então, em outras palavras, se tornou, muitas vezes:
“Vamos nos antecipar, em vez de esperar até os cristãos serem atacados e então atacarmos.”
Então, sempre que havia uma guerra, nessa era inicial e um rei Cruzado ia à guerra contra esse ou aquele líder muçulmano, eles estavam bem na linha de frente.
A Mesquita Al Aqsa e o Domo da Rocha. Lembre que foram construídos especificamente de forma a olhar para baixo, para o Santo Sepulcro. Essas construções específicas foram construídas por um califa no final do século 8. E as inscrições ao redor deles são todas hostis, especialmente ao cristianismo. Então, ao redor do Domo da Rocha, que fica bem ao lado da Mesquita Al Aqsa, há todos esses versos do Corão dizendo:
“Deus não tem filho”, “Deus não é um de três”, “Infiéis são aqueles que dizem que Deus é três”, “Infiéis são aqueles que dizem que Jesus é filho de Deus.”

Então, meu ponto é, que, por mais importante que fosse para os muçulmanos daquela região, também era visto, era criado como uma espécie de superioridade em relação ao cristianismo e eles tinham sido suplantados. Então, era duplamente ofensivo, que agora tivesse sido retomado pelos cristãos, nesse sentido. Bem, desde o início, você tinha Condados, Principados e Reinos, sendo o Reino de Jerusalém o mais notável. Mas eles trabalhavam juntos. Eles não eram inimigos. Isso porque eles foram conquistados aos poucos. Como eu disse, Edessa foi a primeira cidade conquistada, acho que em 1098. E foi conquistada por Balduíno I e depois mais tarde, Antioquia foi tomada por Bohemund. E, finalmente, o resto dos Cruzados tomou Jerusalém. E Godfrey foi eleito o primeiro Protetor, como era o costume. E então outros reinos, outras regiões muçulmanas caíram e outras pessoas as tomaram.
Então, todos trabalharam juntos, mas eram independentes, governados de forma independente. Ainda era feudalismo. O feudalismo tinha-se mudado para o Médio Oriente. Após o Concílio que mencionei, em 1129, onde eles se formalizaram, a popularidade dos Templários explodiu por toda a Europa. E eles receberam toneladas de doações. Esse é o mito de que eles são tão ricos, o que é verdade. Eles eram muito ricos porque receberam muitas doações de muitos europeus. Os europeus eram muito inspirados por essa ordem militar específica, a única ordem militar. Eles receberam doações, terras, dinheiro.
Isso explicaria o que também está acontecendo em lugares tão distantes da Terra Santa, como a Inglaterra. E o que eles faziam era criar preceptorias ou comendas por toda parte. Então, aquele templo em Londres era isso. Onde eles basicamente tinham bases por toda a Europa, para arrecadar dinheiro e recrutar pessoas, treiná-las e enviá-las para a Terra Santa. Então era como um suprimento contínuo. Eles também os tinham nas rotas, para a Terra Santa, também.
E provavelmente é bom agora falar dos Cavaleiros Hospitalários, cujas vestimentas se distinguem dos Templários, por portarem uma cruz gamada, enquanto a cruz dos Templários é mais simples.

Eles são mais antigos e mais novos que os Templários. O hospital já existia desde o século 9. E essa é outra história interessante, que remonta aos tempos de Carlos Magno (774-814) e Harun al Rashid (786-809), do califado abássida, que se diz terem tido boas relações. E, porque, na verdade, de acordo com o biógrafo de Carlos Magno, a única razão pela qual Carlos Magno queria ser tão amistoso com os líderes muçulmanos, era para poder diminuir o jugo sobre os súditos cristãos desses líderes muçulmanos.
De qualquer forma, durante esse tempo, o Santo Sepulcro está lá e os peregrinos estão chegando e, às vezes, sendo abusados e não tendo onde dormir. Então, uma pequena hospedaria foi criada, que Harun al-Rashid permitiu e Carlos Magno financiou. Basicamente, uma hospedaria, onde os cristãos chegavam, você os atendia, os revigorava, dava-lhes um lugar para dormir. Não era um hospital, mas uma simples hospedaria. Mesmo que fosse chamado de hospital.
Isso foi no século 9, esse foi o começo. E então, com as vicissitudes do tempo e a ascensão dos turcos, ele desaparece por uns tempos, mas depois começa a voltar porque o Santo Sepulcro ainda está lá. Depois de ser destruído em 1009. Aliás, ele foi reconstruído pelos cristãos orientais. Os bizantinos tiveram que reconstruí-lo, numa versão menor. Mas então outra hospedaria foi criada lá. É fundada por esses mercadores italianos de Amalfi, por volta das 1050. E é novamente, abusada e atacada.

Mas ela existe para oferecer qualquer tipo de socorro aos europeus. Na verdade, uma dos primeiras hospedarias era para mulheres, porque os homens vinham visitar os monges e ficavam com eles. Mas havia mulheres e eles não deixavam mulheres com os monges. Então, na verdade, a primeira hospedaria foi para mulheres. Depois, ela ficou popular e eles criaram um hospital para homens. Mas é apenas uma hospedaria. É por isso que os Cavaleiros do Hospital. Hospitais, são ainda mais interessantes para mim, porque essas são pessoas que eram muito comprometidas em servir à humanidade. Eles dão a até a camisa do próprio corpo para os necessitados. Em seus códigos, a maneira como falam que “os doentes são nosso patrões“.
Então, eles eram muito, muito motivados por Cristo, quando ele dizia, sabe,
“Se você fizer isso, aquilo ou outra coisa ao menor dos meus irmãos, você fez a mim.”
É por isso que eles se dedicavam a ações muito altruístas, ajudando seus semelhantes, os peregrinos cristãos. Então, eles faziam tudo isso e passavam por violência aqui e ali, explosões dos seljúcidas e outras coisas mais.
E, finalmente, quando a primeira Cruzada chega, em 1099. Então, agora estão em Jerusalém. E aquele homem, o Beato Gerardo. Ele era o abade chefe do hospital em Jerusalém. E, supostamente, os muçulmanos o mantiveram lá. Eles tinham expulsado todos os cristãos quando o cerco começou, quando os Cruzados chegaram, pois podiam ser uma “Quinta Coluna”. Os muçulmanos expulsaram todos os cristãos, mas eles o mantiveram lá, porque ele era bom o suficiente para ajudar a servir qualquer pessoa na hospedaria.
Ele servia muçulmanos e judeus e quem quer que fosse. Então ele não discriminava. De qualquer forma, eles o mantiveram lá e ele se tornou uma espécie de fundador, o nome lembrado com o hospital.

E então, os Cruzados, os cristãos conquistaram Jerusalém. E agora o hospital começa a crescer. Mas então, em pouco tempo, o que acontece é outra coisa. Bem na época dos Templários, outra mudança começa a acontecer no hospital, onde eles percebem:
“Por que estamos apenas sentados aqui sem fazer nada, esperando os peregrinos cristãos serem atacados? E então teremos que cuidar deles, tentar curá-los e tentar trazê-los de volta a alguma aparência de vida. Por que não partimos para a ofensiva para impedir que isso aconteça?”
Então, eles lentamente se militarizam. Começam a se militarizar sob o segundo mestre do hospital, Raymond du Puy. Mas é um processo muito lento. Não é que eles se militarizaram da noite para o dia. E isso começa entre 1120 até por volta de 1160, quando você finalmente há provas definitivas que eles agora estão em pé de guerra, lutando. Mas isso acontece lentamente, aos poucos.
Mas agora o que eu acho muito interessante é isso. É a combinação, de quem eles são. Os Hospitalários começam como esses altruístas, que estão apenas comprometidos em ajudar o próximo. Eles são enfermeiros, essencialmente. E eles lhes dão suas camas, os alimentam, os limpam e tratam suas feridas. Eles os banham. Esse é o tipo de pessoa que eles são.

Ao mesmo tempo, esse mesmo cristão, que você nem consegue encontrar hoje, se tornou um guerreiro feroz. O que é um enigma interessante, novamente, da nossa mentalidade. É difícil. Mas para eles, faz sentido. Por que esperar e deixar os cristãos serem mortos e mutilados, quando eu posso realmente fazer algo para protegê-los? E, se eu amo meu próximo como Cristo me ordena, por que eu ficaria parado, quando sei que eles serão emboscados e atacados?
Então, eles se tornaram como os Templários e começaram a fazer escoltas e guiar peregrinos, assim como os Templários. Então, acho que, ainda mais do que os Templários, os Hospitalários realmente enfatizam como essas duas, aparentemente diferentes, virtudes, que são a extrema piedade. Não apenas piedade, mas com amor por servir o próximo, com violência. Mais uma vez, não é isso. É como ver um enfermeiro que é dedicado à guerra. Na nossa linguagem moderna. Mas era isso que eles eram. Mas para entender. Era uma necessidade. A certa altura, eles não têm escolha. Eles realmente têm que se defender.
Raymond Ibrahim
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NOTA
O texto acima foi extraído das legendas deste vídeo publicado no Youtube.
Luigi Benesilvi
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