Retrato atual da esquerda no ocidente e sua relação com a revolução islâmica iraniana de 1979

(19/03/2026)

Os esquerdistas saudaram a revolução de Khomeini e depois foram massacrados  e porque estão a repetir o mesmo erro com o Hamas e o Irã hoje.

Na foto vemos duas mulheres de esquerda comemorando a chegada do regime empunhando a foto do aiatolá Khomeini, a primeira à direita, que segurava a foto de Khomeini, foi executada a mando do próprio Khomeini – a outra mulher conseguiu fugir do país para contar a história.

A Revolução Iraniana de 1979, que culminou na queda do Xá Mohammad Reza Pahlavi e no estabelecimento de uma República Islâmica sob o ayatollah Ruhollah Khomeini, foi um evento complexo que envolveu uma ampla coligação de forças de oposição ao Xá.

Entre elas encontravam-se vários grupos de esquerda, incluindo comunistas, socialistas e combatentes inspirados no marxismo, que desempenharam um papel significativo na revolução.

Essas facções viam a revolução como uma oportunidade para desmantelar o que consideravam uma monarquia apoiada pelo imperialismo, alinhando-se com a retórica antiocidental de Khomeini apesar da sua extrema ideologia islâmica.

Organizações de esquerda como o Partido Tudeh (partido comunista pró-soviético), os Fedayeen-e Khalq (grupo guerrilheiro marxista) e os Mujahedin do Povo (híbrido esquerdista-islamista) apoiaram ativamente a revolução islâmica.

Participaram em protestos, greves e resistência armada contra o regime do Xá, frequentemente apresentando Khomeini como um símbolo do anti-imperialismo.

A nível internacional, intelectuais de esquerda, proeminentes como Jean-Paul Sartre, endossaram a causa de Khomeini, vendo-a como um impulso democrático contra o autoritarismo.

Muitos na esquerda celebraram o sucesso da revolução em Fevereiro de 1979, interpretando-a como uma vitória para a mudança progressista e um golpe contra a influência dos EUA na região.

Esse apoio não era universal e alguns esquerdistas estavam cautelosos com o fundamentalismo religioso de Khomeini, mas uma parte significativa aliou-se a ele de forma tática, subestimando o domínio islamista que se seguiria.

No entanto, uma vez no poder, Khomeini e os seus aliados consolidaram rapidamente o controle, marginalizando e depois eliminando os antigos parceiros de esquerda.

As execuções de opositores políticos começaram quase imediatamente após a revolução, visando monarquistas, moderados e, mais tarde, esquerdistas.

Entre 1981 e 1985, os tribunais revolucionários executaram mais de 8 mil opositores, muitos dos quais eram ativistas de esquerda de grupos como os Mujahedin e os Fedayeen.

A repressão atingiu o auge no verão de 1988, com uma execução em massa de presos políticos, ordenada por Khomeini através de uma “fatwa” (sentença).

Os prisioneiros, principalmente apoiantes dos Mujahedin do Povo do Irã (MEK) e de outras facções de esquerda como o Partido Tudeh e minorias dos Fedayeen, foram submetidos a julgamentos sumários e arbitrários por “comissões da morte”.

As estimativas do número de mortes variam e algumas organizações citam entre 2.800 e 5.000 vítimas, outras falam em até 30.000.

Essas execuções foram realizadas em segredo, com os corpos enterrados em valas comuns não identificadas e as famílias muitas vezes sem serem informadas.

As execuções eliminaram efetivamente grande parte da esquerda organizada no Irã, marcando uma traição brutal da coligação que havia levado Khomeini ao poder.

Esse episódio histórico traça paralelos com dinâmicas contemporâneas em que a esquerda global tem demonstrado apoio ou simpatia por grupos como o Hamas e, por extensão, pelo regime iraniano que os financia.

Hoje, organizações de esquerda marginais têm enquadrado as ações do Hamas, incluindo os ataques de 7 de outubro de 2023, que causaram a morte de mais de 1200 pessoas e o sequestro de outras 250, como “resistência” legítima contra o imperialismo.

O Irã, como principal financiador do Hamas e do Hezbollah, se beneficia dessa narrativa, com algumas vozes de esquerda a minimizar o autoritarismo do regime, a repressão de manifestantes internos e o seu papel no terrorismo regional.

Exilados e dissidentes iranianos, muitos dos quais se identificam como progressistas, manifestam consternação perante essa solidariedade seletiva:

“Enquanto protestos em massa em apoio ao Hamas atraem ampla atenção da esquerda, os milhares de mortos pelo regime iraniano durante os levantes antigovernamentais (como em 2019 e 2022) recebem muito menos indignação ou mobilização.”

Esse padrão ecoa 1979, onde o alinhamento ideológico com forças antiocidentais levou a esquerda a ignorar ou minimizar os riscos do autoritarismo islâmico, apenas para este se virar contra valores progressistas como os direitos das mulheres, o secularismo e a proteção das minorias.

O paralelo destaca uma tensão dentro da política de esquerda: um foco no anti-imperialismo pode por vezes levar a alianças ou silêncios que minam compromissos mais amplos com os direitos humanos e a democracia, tal como aconteceu no Irão há quase meio século.

Autor não identificado

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NOTA

O texto acima é a reprodução do texto publicano neste link do Facebook, com autor não identificado. Presumo ser verdadeiro, porque já li coisas assim em outros lugares e eu mesmo escrevi um texto sobre esse assunto, chamado “Aliança profana entre religiosos muçulmanos e comunistas ateus”, neste link.

Luigi Benesilvi

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