Refutando mentiras de apologistas do Islã sobre tratamento aos cristãos – Raymond Ibrahim

(29/06/2026)

Tucker Carlson está nisso novamente, dando espaço a argumentos pró-islâmicos que desafiam a realidade.

Durante um episódio recente, ele entrevistou um tal de J.D. Hall sobre o sionismo cristão. Embora o Islã não tenha relação com esse tema, argumentos pró-islâmicos foram, como de costume, inseridos na conversa.

“Otomanos não cobravam impostos das igrejas. E assim, quando os otomanos controlaram a Terra Prometida, por 400 anos, sob o ‘Sistema Millet’, eles não cobravam impostos das igrejas. Israel começou a fazer isso há apenas alguns anos.”

Isso é verdade?

Por 400 anos, os turcos otomanos, que controlaram a Terra Santa de 1517 a 1917, não cobraram impostos das igrejas?

FALSO!

Na melhor hipótese, essa é uma afirmação altamente insincera. Os turcos podem não ter diretamente tributado igrejas, mas tributavam diretamente os cristãos pelo “privilégio” de existir e praticar seu culto nessas igrejas.

Se os cristãos recusassem a pagar o, muitas vezes significativo, se não devastador, o tributo “Jizya”, o tributo que todos os infiéis conquistados são obrigados a pagar aos seus senhores islâmicos, conforme o Corão 9:29, não apenas seriam mortos ou vendidos como escravos, mas suas igrejas teriam sido, como em inúmeras ocasiões, arrasadas até o chão ou transformadas em mesquitas.

“Combatei aqueles que não creem em Allah, nem no Dia do Juízo Final, nem proíbem o que Allah e o Seu Mensageiro proibiram, nem professam a religião da verdade, dentre aqueles que receberam o Livro [judeus e cristãos], até que paguem a jizya (imposto de vassalagem) de suas próprias mãos, sentindo-se subjugados e humilhados (dhimmis).” – (Corão 9:29)

Mesmo assim e como era de esperar, Tucker passou a pedir a J.D. Hall que aprofundasse essa questão da “magnanimidade muçulmana”, perguntando se “os governantes muçulmanos não cobraram mesmo impostos das igrejas durante o período otomano”. E a partir daí, as coisas só pioram.  J.D. Hall respondeu:

A resposta é NÃO. Governantes muçulmanos não tributavam igrejas durante o período otomano. Eles eram muito gentis com os cristãos. Na verdade, eles cuidavam de nossos locais sagrados. Eles as reconstruíram. As autoridades islâmicas reconstruíram a Igreja do Santo Sepulcro em 3 vezes diferentes ao longo dos séculos.”

Você entendeu aquilo?

Então, agora, não só os governantes muçulmanos não tributavam igrejas, como também eram “muito gentis com os cristãos“. Isso é bastante difícil de engolir, J.D. Hall. Manter os cristãos como “dhimmis”, ou seja, súditos oprimidos que, de forma alguma, desfrutam dos mesmos direitos que os muçulmanos, matá-los ou escravizá-los se não pagassem ultrajantes impostos e tributos e negar-lhes qualquer aparência de justiça sempre que turbas muçulmanas se levantavam contra eles, o que, como veremos, era bastante comum tanto naquela época quanto hoje. Tudo isso era uma forma “de ser muito gentil com os cristãos.”

A propósito, eis uma curiosidade: durante esses mesmos séculos em que os turcos otomanos governaram a Terra Santa, eles eram o flagelo da Europa cristã, vistos como os mais vis de todos os opressores muçulmanos que os precederam. E isso já diz muito.

As atrocidades que cometeram durante a conquista de milhares de milhas de terras cristãs frequentemente além da descrição. Incursões ininterruptas, massacres, escravizações, estupros, a captura dos meninos cristãos mais fortes, que eram islamizados à força e transformados em jihadistas, os notórios “Janízaros” e a captura de meninas cristãs, que eram jogadas nos haréns otomanos e transformadas em escravas sexuais. Sem mencionar, é claro, a sistemática profanação e destruição de milhares de… IGREJAS!

Quanto ao domínio otomano na Terra Santa, onde os cristãos eram minoria e não tinham outra escolha a não ser se submeter, se converter ou morrer. Os otomanos eram notórios por impor impostos aos peregrinos, fechar ou assediar igrejas e simplesmente fazer o que bem entendiam com os “infiéis”. Se você quiser mais fatos, leia qualquer um dos meus livros, *Sword and Scimitar* ou *Defenders of the West*, que estão saturados de séculos de atrocidades otomanas contra cristãos.

E, a propósito, os cristãos eram tratados dessa maneira. ou seja, não muito gentilmente, precisamente por serem cristãos. Leia esses livros para obter documentação abundante, se duvidar de mim. Mas J.D. Hall também diz que,

 “Na verdade, eles cuidaram de nossos locais sagrados. Eles reconstruíram. As autoridades islâmicas reconstruíram a Igreja do Santo Sepulcro em 3 vezes diferentes ao longo dos séculos.”

Sinceramente, não faço ideia do que ele está falando.

Ao longo de sua história, o Santo Sepulcro foi atacado e danificado em inúmeras ocasiões, quase sempre por muçulmanos. Mas nenhuma autoridade islâmica jamais o reconstruiu. Na melhor hipótese, permitiram que os cristãos pagassem e a reconstruíssem, eles próprios. E mesmo assim, apenas porque o Santo Sepulcro era uma importante fonte de renda para as autoridades muçulmanas. Milhares de peregrinos de toda a Europa tinham que pagar uma fortuna para entrar nela.

Por exemplo, no ano de 1009, o califa egípcio Al-Haviam bi-Amrallah permitiu que os muçulmanos de Jerusalém arrasassem o Santo Sepulcro até o chão. Cerca de 40 anos depois, ele foi reconstruído totalmente com dinheiro e mão de obra cristãos. Um califa posterior decidiu que preferia lucrar com as peregrinações. Tudo o que ele fez foi permitir que os cristãos o reconstruíssem. Ele não ajudou de forma alguma. Quanto aos ataques de turbas muçulmanas ao Santo Sepulcro, sob o domínio otomano, que eram frequentes, houve apenas uma ocasião em que o prédio precisou de uma significativa reconstrução depois de um incêndio ter destruído grande parte dele em 1808.

Embora o incêndio seja oficialmente lembrado hoje como “um acidente” causado por uma vela mal colocada ou uma lamparina a óleo, essa é exatamente a mesma causa que as autoridades egípcias atribuíram ao recente incêndio criminoso de dezenas de igrejas coptas no Egito.

Os cristãos da época, assim como dizem os coptas de hoje, diziam que muçulmanos locais o incendiaram. Seja como for, tudo o que os otomanos fizeram em relação ao incêndio de 1808 foi permitir que os cristãos locais o reconstruíssem, novamente, com seu próprio dinheiro e mão de obra. Com dinheiro e mão de obra dos próprios cristãos e mais uma vez apenas para que os otomanos pudessem lucrar com isso por meio das taxas de entrada dos peregrinos.

Em resumo, não havia qualquer coisa de benevolente no tratamento dos otomanos aos cristãos, dentro ou fora da Terra Santa.

Até mesmo a abolição do imposto “jizya” em 1856, foi subproduto direto da pressão europeia, especialmente cristã. Devido à constante perseguição aos cristãos sob o domínio otomano, a Rússia ortodoxa interveio em seu favor, levando à Guerra da Crimeia, entre 1853 e 1856. O Império Russo quase conseguiu conquistar o Império Otomano, o “homem doente da Europa”, como era conhecido. Até que a Inglaterra e a França apoiaram escandalosamente os turcos, permitindo que o domínio islâmico sobrevivesse.

Em troca e como agradecimento à Inglaterra e à França, os otomanos promulgaram o edito de reforma de 1856, prometendo igualdade aos cristãos, abolindo a jizya e melhorando nominalmente seu status legal. Isso, por sua vez, apenas alimentou o ressentimento dos muçulmanos locais. Afinal, o sentido de ser muçulmano era ser tratado como superior aos cristãos. Se cristãos agora eram tratados com igualdade e nem precisavam pagar tributo, qual era o sentido de ser muçulmano?

 Muitos “pogroms” aconteceram logo em seguida. Mark Twain, que visitou a Terra Santa, escreveu sobre uma dessas revoltas selvagens ocorrida em 1861.

 “5.000 homens, mulheres e crianças foram massacrados indiscriminadamente e deixados a apodrecer às centenas, por todo o bairro cristão de Damasco. O fedor era terrível. Todos os cristãos que conseguiram escapar fugiram da cidade e os maometanos não sujaram as mãos sepultando ‘os cães infiéis’. A sede de sangue se estendeu às terras altas do Hermon e ao antilíbano. E, em pouco tempo, mais 25 mil cristãos foram massacrados e seus bens saqueados. Como eles odeiam os cristãos em Damasco e praticamente em toda a Turquia também. E como eles pagarão por isso quando a Rússia voltar a apontar suas armas contra eles.”

A Rússia voltou a entrar em guerra contra os otomanos e ajudou a libertar os Balcãs. Mas a chance de recuperar a Terra Santa já havia passado, graças, mais uma vez, à Inglaterra e à França. Aliás, por ajudarem a preservar o domínio islâmico, as duas nações da Europa Ocidental também podem ser “agradecidas” pelo último ato de “bondade” dos otomanos para com os cristãos sob seu domínio.

Trata-se do genocídio de cerca de 2,5 milhões de armênios, assírios e gregos, massacrados, mutilados, estuprados, crucificados das formas mais horríveis. Ei! Pensando bem, talvez o que esteja acontecendo com a Inglaterra e a França agora, também nas mãos dos muçulmanos, seja mera “retribuição”. Enfim, aí está. J.D. Hall e Tucker, um pouco de clareza para vocês. Não precisa agradecer.

Raymond Ibrahim

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NOTA

O texto acima foi extraído das legendas deste vídeo publicado no Youtube.

Luigi Benesilvi

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