Cristãos são o grupo religioso mais perseguido do mundo – Raymond Ibrahim

(03/11/2026)

Há alguns anos, a Prager U me pediu para explicar porque os cristãos são o grupo religioso mais perseguido do mundo. Documentei uma realidade chocante: centenas de milhões de cristãos estavam sendo atacados, a grande maioria em países de maioria muçulmana.

A situação está melhor hoje?  Não.

Está pior.

A perseguição se intensificou, se espalhou e se tornou ainda mais normalizada. Cristãos são atacados, deslocados e assassinados, em algum lugar do mundo islâmico, todos os dias. Só na Nigéria, muçulmanos matam um cristão a cada duas horas, em média e o Ocidente continua fazendo vista grossa.

Sou historiador do Islã no Oriente Médio. Há mais de 15 anos, venho compilando relatórios mensais sobre muçulmanos perseguindo cristãos, usando fontes, incluindo estrangeiras e árabes, que a grande mídia ignora.

Cristãos continuam sendo o grupo religioso mais vitimado do mundo.

Dos 50 principais países onde os cristãos enfrentam perseguição muito alta ou extrema, cerca de 37 ou 75%, são muçulmanos ou têm grandes populações muçulmanas. Somália, Iêmen, Sudão, Líbia, Afeganistão, Mali, República Democrática do Congo. A lista é desanimadoramente longa.

Na Nigéria, militantes fulani e jihadistas do Boko Haram continuam sua campanha genocida. Aldeias cristãs inteiras são incendiadas. Pastores são decapitados. Milhares de cristãos foram massacrados somente nos últimos anos, com igrejas incendiadas e mulheres capturadas como escravas sexuais. Não se trata de crime aleatório;

é a jihad contra os infiéis.

É assim que os perpetradores enquadram o ato, mesmo que a mídia se recuse a citar suas próprias palavras. No Paquistão, as leis de blasfêmia continuam sendo uma sentença de morte. Acusações, muitas vezes falsas, desencadeiam linchamentos pela turba e igrejas são incendiadas. Meninas cristãs são rotineiramente sequestradas, convertidas à força ao islã e casadas à força. As autoridades fazem pouco caso e, às vezes, chegam até a ser cúmplices.

Os cristãos coptas do Egito, uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo, há muito tempo sofrem ataques a igrejas depois das preces da sexta-feira. Deslocamentos forçados, discriminação sistemática e o sequestro e a islamização de suas filhas.

Na Síria e no Iraque, antigas populações cristãs que sobreviveram a séculos de domínio islâmico, foram quase exterminadas pelo Estado Islâmico e seus sucessores. Muitos dos que ainda estão lá, vivem como aterrorizados “dhimmis”, súditos meramente tolerados, que pagam tributo pelo “privilégio” de existir dentro de um Estado islâmico.

No Irã, muçulmanos convertidos ao cristianismo, os “apóstatas”, são regularmente presos e suas igrejas clandestinas fechadas.

Por que essa perseguição persiste?

É por causa da pobreza ou da política?

Não. É por causa da doutrina islâmica.

O Corão, o Hadith e 1.400 anos de história deixam isso claro. O “Povo do Livro”, terminologia do Islã para cristãos e judeus, deve se submeter à supremacia islâmica. Se não o fizerem, a pressão se transforma em violência, sequestro e até mesmo assassinato. Isso não é islamismo radical; é o islã predominante.

Desde as conquistas do século 7 na África do Norte cristã, no Oriente Médio e na Espanha, aos genocídios otomanos, ao jihadismo de hoje. Onde quer que forças adeptas da sharia ganhem terreno, os cristãos sofrem. A mesma mentalidade supremacista está por trás de tudo isso. Tudo isso já era de conhecimento geral.

Mais de 100 anos atrás, o presidente americano Theodore Roosevelt, observou corretamente que,

“Onde quer que os maometanos tenham exercido domínio total, onde quer que os cristãos tenham sido incapazes de resistir a eles pela espada, o cristianismo acabou desaparecendo.”

E a grande mídia permanece em silêncio. Um recorde de 388 milhões de cristãos está sofrendo perseguição. Milhares são mortos anualmente. Seria de esperar que isso dominasse as manchetes, mas essas notícias mal chegam à página 23 do *New York Times* ou recebem uma menção casual num noticiário noturno, se é que chegam a isso. Essa cegueira deliberada não apenas esconde a verdade; ela possibilita mais sofrimento.

Analistas, acadêmicos e políticos de esquerda, na Europa e nos EUA, insistem que cada surto de violência islâmica e intolerância é produto de um extremismo isolado. Culpam o colonialismo e a política externa ocidental. O que eles nunca fazem é estabelecer a conexão com os ensinamentos islâmicos. Em vez disso, protestam que destacar a perseguição aos cristãos, citando os fatos, promove a “islamofobia”. Essa negação não é compaixão; é cumplicidade. Ela deixa os cristãos perseguidos sem aliados e importa os mesmos problemas para o Ocidente por meio da migração descontrolada e da integração fracassada.

Faz mais de uma década que fiz meu primeiro vídeo da PragerU sobre a perseguição aos cristãos. O Estado Islâmico sequer existia naquela época, as evidências estão mais fortes que nunca. O cristianismo está desaparecendo de seus antigos redutos no Oriente Médio e em partes da África e da Ásia. Comunidades inteiras que existiam séculos antes do Islã estão sendo extintas.

E agora os muçulmanos estão na Europa fazendo a mesma coisa: decapitando pessoas nas ruas de Londres e Belfast, atropelando com caminhões feiras de Natal em Berlim e profanando e queimando igrejas em Paris.

Chegou a hora de rejeitar o cristianismo passivo de “dar a outra face” enquanto nossos irmãos e irmãs são crucificados novamente. A verdadeira caridade cristã inclui defender os inocentes e falar a verdade sobre o maligno.

O Ocidente precisa se levantar. Esse não é um problema do Oriente Médio; é um problema civilizacional. A mesma ideologia que tem como alvo os cristãos no exterior já está comprometendo as liberdades ocidentais aqui em casa. A perseguição aos cristãos não é história antiga. Está acontecendo agora mesmo, hoje, em grande escala, mesmo que esteja sendo escondida de vocês. Ignorá-la não faz com que ela desapareça. Isso apenas garante mais igrejas profanadas, mais mártires e menos liberdade.

Sou Raymond Ibrahim, autor do livro “Defensores do Ocidente: Os Heróis Cristãos que Enfrentaram o Islã”. para a Prager University.

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NOTA

O texto acima foi extraído das legendas deste vídeo publicado no Youtube. O livro citado pelo autor tem versão em português e pode ser encontrado na Amazon.

Luigi Benesilvi

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