O Apocalipse imaginado pela tirânica teocracia iraniana – Luigi Benesilvi
(23/04/2026)
O presidente Trump diz que a guerra contra o Irã pode chegar ao fim em breve. Mas será que o regime iraniano está realmente disposto a abandonar seus sonhos apocalípticos e pôr fim à sua jihad contra Israel e o Ocidente?

O estudioso Raymond Ibrahim, autor de vários livros sobre a história do Islã, nos ajuda a responder essa pergunta, dizendo que os muçulmanos xiitas no Irã e em outras partes do Oriente Médio acreditam na história do Mahdi, o chamado 12º Imã e como essa guerra contra Israel e os Estados Unidos reforça a ideologia deles.
O Mahdi é uma figura mística escatológica que deve voltar a aparecer no “Fim dos Tempos”, para trazer justiça e bondade. À primeira vista, isso soa bem, mas, claro, a partir do paradigma islâmico, significa que ele realmente está trazendo bondade; está trazendo a visão de mundo da lei islâmica Sharia e está lutando contra todos que são vistos como inimigos do Islã. E o que torna o Irã particularmente perigoso, não é apenas por causa de sua vertente xiita dos 12 imãs e da doutrina do Mahdi, mas porque é sabido que a Guarda Revolucionária Islâmica Iraniana, professa devotamente essa ideologia.
Essa ideologia está realmente repleta de conceitos de martírio e sacrifício. Essa não é exatamente a mentalidade, que se gostaria de ver em posse de armas de destruição em massa ou armas nucleares. E é realmente a isso que tudo se resume. É claro que muitos países querem armas nucleares e que o Irã as quer por razões pragmáticas e de política realista. Mas essa doutrina específica, que é peculiar especialmente ao Irã, torna o perigo muito mais pronunciado. Obviamente, já é perigoso quando qualquer país possui armas nucleares. Mas, se torna muito mais perigoso, quando um grupo, cuja ideologia está fortemente centrada em trazer o “fim dos tempos”, de maneira mística.
Segundo a crença xiita, o “fim dos tempos” vai chegar, quando os maiores inimigos do Islã forem derrotados, o que, da perspectiva iraniana, seriam os dois grandes Satãs, os Estados Unidos e Israel.
Todo esse conceito é conhecido por quem já viu, a “Ashura”, onde basicamente os xiitas, para comemorar o martírio de Husayn ibn Ali, neto de Maomé , se açoitam num frenesi hipnótico. É esse tipo de mentalidade de combate, que vem se perpetuando há séculos, em que eles se veem como mártires e vítimas, como tendo que fazer o que for preciso, incluindo qualquer sacrifício, a fim de trazer a bondade do Islã, na pessoa do Mahdi.

E há outro problema que, na verdade, agrava o primeiro. E, novamente, podemos argumentar que é específico do islã xiita do Irã. E é a doutrina da “Taqiyya”. A Taqiyya é a doutrina islâmica, que permite aos muçulmanos dissimular e mentir ativamente, perante os não muçulmanos, conforme necessário. E ela tem versos do Corão. Um dos mais importantes é o 3:28.
“Crentes não devem tomar descrentes como amigos ou protetores em lugar de outros crentes. Se alguém fizer isso, não terá mais qualquer ajuda de Allah, a não ser que seja por precaução, para resguardar-se deles ou para promover a expansão da fé”. (Corão 3:28).
Embora os apologistas possam argumentar que essa visão se refere apenas aos muçulmanos xiitas, como ela está no Corão e todos os muçulmanos devem seguir o que está escrito nesse livro sagrado, o conceito também se aplica aos muçulmanos sunitas.
E o fato é que os xiitas, têm praticado mais a Taqiyya, isso se deve à preservação da integridade deles, simplesmente porque são a seita minoritária dentro da seita maior, a dos sunitas. Portanto, eles tinham mais motivos para dissimular diante dos sunitas, que os atacariam e matariam, se soubessem quem eles eram.

É justo acreditar que a liderança iraniana, o regime e, especialmente, o núcleo revolucionário islâmico, internalizam e adotam muitos aspectos da taqiyya, o que essencialmente lhes permite mentir e enganar os infiéis.
Considerando tudo isso, o mahdismo, o martírio, o sacrifício, a escatologia e, então, a liberdade para mentir, vemos um forte argumento a favor de não se poder confiar na liderança iraniana.
Se os Estados Unidos prevalecerem e sabemos que muitas pessoas querem ver desaparecer a liderança iraniana e sua tirânica teocracia, especialmente o próprio povo iraniano. Então, isso seria uma grande vitória.
De um ponto de vista espiritual, esta é uma batalha entre o Islã contra a civilização ocidental e, de um ponto de vista histórico, podemos falar sobre o conflito em curso entre muçulmanos e cristãos, especialmente, ou, na verdade, entre muçulmanos e todos os outros povos.
E é o que o cientista político Samuel Huntington disse em seu livro “O Choque das Civilizações”, que as fronteiras do Islã sempre são sangrentas. E basicamente essa simples observação ressalta o fato, que, onde quer que os muçulmanos estejam territorialmente, seja qual for o vizinho, eles estão, de alguma forma, em conflito com ele.
Um jornalista publicou uma mensagem do Estado Islâmico na Síria, que dizia:
“O Islã não tem fronteiras, somente frente de combate”.

Então, por um lado, isso faz sentido, no atual “conflito árabe-israelense“, como é chamado. E agora é o “conflito iraniano“. Era a Europa que, naturalmente, levava a guerra ao Islã, por várias razões, principalmente no contexto da teoria da guerra justa. Era isso que eram as Cruzadas. Mas atualmente, a Europa está reticente e receosa de falar abertamente sobre esse assunto e tem procurado o “apaziguamento”. O próprio Papa Leão 14, tem seguido a prática de seu antecessor e tem conclamado os cristãos a “serem menos temerosos do Islã”.
Mesmo que os ayatollahs iranianos tenham suas ambições retardadas por algumas gerações, de um ponto de vista histórico e apenas com base nos números, como os sunitas representam cerca de 90% do mundo muçulmano, então, eles vão causar 90% dos problemas.
Historicamente, foram os sunitas que travaram guerras constantes de conquista, tanto em territórios cristãos, quanto em territórios da Europa Ocidental. Por todo o mundo, foram os califados e sultanatos sunitas, que estavam em combate, enquanto os xiitas estavam se escondendo e lutando contra os sunitas. Além disso, é interessante, que todas as manifestações históricas dos chamados Mahdis, pessoas que alegavam ser Mahdis, quase todas elas eram sunitas, ironicamente.
O problema de longo prazo, sempre será o Islã sunita, por razões pragmáticas ou políticas e isso faz todo o sentido. Mas se você usar o argumento de que estamos atacando a cabeça do islã radical, isso não parece correto, porque, na verdade, as cabeças seriam as nações sunitas, seria a Arábia Saudita seria o Egito.
Se observar quem são os terroristas ao redor do mundo, eles são, em sua maioria, sunitas. É claro que você tem o Hezbollah, mas você tem a Al Qaeda, você tem o Estado Islâmico, o Hamas, o Boko Haram, o El Shabbab. Todos esses são sunitas. Então esse é realmente o problema fundamental.

E então você descobre que os EUA e Israel são amigos da Arábia Saudita. Se eles podem ser amigos da Arábia Saudita, então claramente o conflito não pode, em última instância, ser sobre religião com o Irã. É que há uma espécie de interação entre pragmatismo, política e também ideologia, com ênfase especial no que o islã xiita traz. Mas mesmo que isso seja eliminado em algum momento, a questão sunita é muito mais grave a longo prazo.
Voltemos ao conceito de Taqiyya, a enganação. Isso é especialmente fundamental e quase internalizado entre os xiitas, por várias razões históricas. Mas também disse que os sunitas fazem também. Portanto, é um expediente, se for conveniente para um muçulmano, seja ele da seita sunita ou xiita, dizer certas palavras ao infiel, porque isso é vantajoso no momento, com base na circunstância em que o muçulmano se encontra e ele diga isso ou aquilo, então isso é absolutamente aceitável.
Temos visto o líder da oposição iraniana o Príncipe Reza Pahlavi, declarar que, quando a teocracia for derrubada e o povo assumir o poder no Irã, haverá paz com Israel, Estados Unidos e todos os países ocidentais.
Como o príncipe é do ramo muçulmano xiita “doedecimano”, dos que acreditam na história do 12º Imã, ele não pode ser um muçulmano devoto, pois não está exercendo os comandos do Corão, ou pode estar apenas praticando a doutrina da “Taqiyya”, para enganar os infiéis.
Portanto, algo como os Acordos de Abraão poderiam, em última análise, ser um ardil, o que é aceitável agora, porque é útil para as nações muçulmanas devido à sua fraqueza inerente atual. Mas, assim que essa circunstância mudar e eles se sentirem mais fortes, então tudo pode ser renegado.
Luigi Benesilvi
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NOTA
O texto acima é altamente baseado nas legendas deste vídeo publicado no Youtube. Retirei as perguntas do entrevistador e algumas partes marginais da entrevista. Como fiz isso e acrescentei vários detalhes e esclarecimentos, achei mais adequado assumir a autoria de todo o texto.
A descrição mais detalhada da “Lenda do 12º Imã” pode ser lida neste link.
Luigi Benesilvi
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