A dualidade da linguagem na tradução das mensagens do Corão – Raymond Ibrahim

(01/06/2026)

Eu estava indo bem. Mas então consegui emprego na Biblioteca do Congresso, voltando a lidar com livros em arábico do Oriente Médio e com essa área.

E aquele era um emprego incrível. Em pouco tempo, tornou-se um emprego em tempo integral. Eram 40 horas por semana. Em pouco tempo, também me deparei com textos em arábico, escritos por Osama bin Laden e Ayman Zawahiri, da Al Qaeda. E isso ainda era na época que a Al Qaeda era grande notícia. Encontrei esses textos em 2004, ou seja, poucos anos depois dos ataques às Torres Gêmeas de 11 de setembro de 2001.

E o que é interessante sobre esses textos em arábico, é que eram completamente diferentes do que a Al Qaeda vinha dizendo em suas mensagens para o Ocidente. Antes, a mensagem da Al Qaeda era:

“Nós atacamos vocês porque vocês nos atacaram primeiro”.

Era tudo uma questão de “tratamento recíproco”.

“Vocês fizeram isso, aquilo e aquilo outro. Israel! Vocês e Israel estão torturando todo mundo. Colonialismo! Cruzadas! O que vocês fizeram conosco!”

Então, toda a narrativa era esse grande e longo mantra de queixas. Num ponto chegou até a reclamar que os EUA não assinaram o “Protocolo de Kyoto”, sobre o meio ambiente. Um tratado específico sobre o meio ambiente!

Então, essas eram as mensagens que estavam sendo divulgadas para o Ocidente. E a mídia ocidental estava ajudando, porque queria mostrar também

 “o que o outro lado está dizendo”.

O que encontrei em arábico, porém, dizia outra coisa. Parecia mais o ISIS (Estado Islâmico). Porque agora ele está falando para companheiros muçulmanos, em arábico, sem pensar que qualquer “infiel” teria acesso a essa informação. E era basicamente:

 “Sim, temos que odiá-los e guerrear contra eles, porque são infiéis, não tem nada a ver com o que fazem. Sejam eles bons ou gentis conosco, ou maus ou malignos, temos que subjugá-los.”

Então, consegui um contrato para um livro sobre o material em arábico, porque queria mostrar o que a Al Qaeda vinha dizendo aos muçulmanos versus o que diziam aos não muçulmanos. E isso apareceu no meu primeiro livro, “The Al Qaeda Reader”, que finalmente foi publicado em 2007.

Aquilo, logo no início, pareceu um exemplo perfeito. Eu vinha, mais uma vez, de uma formação acadêmica em história. Por isso, estava muito interessado na Jihad e nas Cruzadas. Mas quando me deparei com a questão da Al Qaeda, acreditei inicialmente no que diziam, que era:

“Estamos fazendo isso porque vocês fizeram aquilo”.

Então, quando li em arábico o que eles realmente diziam e como faziam referência à história para reforçar seu argumento e falavam sobre

“Sim somos a nação da jihad”, etc., etc.

Isso realmente ficou comigo desde então até agora. E assim, uma das minhas missões como escritor é justamente mostrar a continuidade, a verdadeira continuidade, entre a hostilidade islâmica ao Ocidente, no passado e no presente, e também todas as muitas mentiras que a permeiam, no passado e no presente. Porque temos os mesmos exemplos de enganações e mentiras e todo esse tipo de coisa acontecendo.

Durante a entrevista, Andrew Gold falou sobre sua apresentação no Parlamento Europeu sobre a islamização da Europa, em que um Imã, que estava lá, disse:

“Não, não, o que ‘infiéis’ realmente significa. É apenas, digamos, um tipo de não crentes, e até mesmo ateus estão incluídos. Então, não se trata, na verdade, de cristãos e judeus.” .

Quanto a “infiel”, é engraçado, porque inventam toda essa apologética e acho que o que ele está tentando dizer é o seguinte: A palavra “infiel”. Bem, essa é uma palavra em inglês. Nem sequer é necessariamente uma boa tradução. Eu uso com frequência a palavra é “Kafir”, que é um não muçulmano. Você pode traduzir como “não muçulmano”, mas essa é a maneira deles de tentar torná-la “higienizada”, porque o que é, na verdade, é um “não muçulmano”. Mas a palavra está carregada com tantos significados pejorativos e conotações malignas. Então, por padrão, ser um “não muçulmano”, com base nessa palavra é ser “um inimigo”. 

Então, e talvez outra coisa com que eles jogam é chamar cristãos e judeus de “Povo do Livro” (Povo da Bíblia). Era isso que ele estava se referindo. “Ahl al-Kitab”, que significa isso. Então, se você é um “Ahl al-Kitab”, é do “Povo do Livro”. Sim, você é, tecnicamente,  um pouco “melhor” e deve ser tratado melhor do que o “Kafir”. Mas não é muito melhor assim…

Para o “kafir” é: “Submeta-se, converta-se ao Islã ou morra.”

É isso.

Para o cristão e o judeu é:

 “Submeta-se, torne-se muçulmano ou, tudo bem, mantenha sua religião, pague o tributo e seja um cidadão de segunda classe.”

E mais como cidadão de terceira classe. Se você realmente entender isso. Então, é um pouco melhor. Mas a guerra deve ser travada contra ambos até que se submetam de uma forma ou de outra. A única diferença é que o cristão e o judeu têm o direito de manter sua fé, mas são súditos subjugados.

O Corão 9:29 é o verso-chave, que diz:

“Combatam o Povo do Livro até que paguem o tributo e se sintam humilhados”.

Portanto, não se trata apenas de tirar dinheiro deles. É preciso garantir que, na ordem social, eles sejam subjugados. E uma das razões para isso é a esperança de que, no final, eles se convertam.

E eles se converteram.

Essa é, na verdade, a história de como o Islã se espalhou. Ele conquistava regiões, digamos, o Egito, minha terra natal ancestral, ou a Síria. A grande maioria das pessoas lá era, na verdade, cristã, a esmagadora maioria, com muitos judeus também, em Alexandria. E assim eles tinham o direito de pagar tributo. Mas, em pouco tempo, as pessoas ficam sem dinheiro. É, é uma quantia exigente de, você sabe, tributo, que eles querem.

E as pessoas se cansam de serem marginalizadas socialmente. Elas, elas não conseguem empregos. São desprezadas. Elas não conseguem, você sabe, então se tornam muçulmanas. Essa é a verdadeira história da difusão do Islã. E, na verdade, entende-se que esse texto sobre a “Jizya”,, baseado no Corão, tem, por um lado, objetivo de mostrar alguma leniência. Por outro lado, é uma espécie de:

 “Nós tiramos dinheiro de vocês e, então, em algum tempo, vocês se tornam muçulmanos”.

Raymond Ibrahim

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NOTA

O texto acima foi extraído das legendas deste vídeo publicado no Youtube, de uma entrevista do jornalista Andrew Gold.

Luigi Benesilvi

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