A internet está ajudando a frear a expansão do Islã – TheFallOfNations
(29/08/2026)
Em todo o mundo muçulmano algo impensável está acontecendo. Milhões de pessoas estão se afastando, não da cultura, nem da identidade, mas dos sistemas que afirmam falar em nome de deus.

No Irã, na Tunísia, no Egito e até mesmo na Arábia Saudita, a fé está sendo esvaziada por dentro. Clérigos que antes governavam com autoridade absoluta, agora, estão sendo ignorados. Governos que antes usavam a religião para exercer controle, agora, esse controle está se esvaindo e os números comprovam isso.
Na Tunísia, quase metade dos jovens hoje se declara não religioso. No Irã, apenas um em cada 3 ainda se identifica com a versão do Islã do regime. No Reddit, mais de 400 mil ex-muçulmanos estão documentando abertamente sua saída. Isso não é rebelião; é colapso. Não é ruidoso, não é violento, mas é viral. E está se espalhando rapidamente. E por trás de tudo isso está uma verdade brutal: Quando a religião é usada para o poder, as pessoas deixam de confiar na religião e começam a se afastar.
Vamos analisar como um dos mais rápidos colapsos do mundo moderno está se desenrolando dentro da fé que outrora uniu quase 2 bilhões de pessoas. No papel, quase ninguém abandona o islã. De acordo com o Pew Research, muçulmanos têm uma taxa de retenção de 99% globalmente. Na Indonésia, o maior país muçulmano do mundo, 93% foram criados como muçulmanos e 93% ainda se identificam como muçulmanos hoje. No Paquistão, no Egito e em todo o Oriente Médio, o padrão se repete. Menos de 1% relatam ter abandonado a fé. Parece sólido como uma rocha. Inabalável. Mas eis o problema: Esses números não medem a crença; eles medem a sobrevivência.

Em grande parte do mundo muçulmano, abandonar o Islã não é uma escolha pessoal; é um crime. Argélia, Malásia, Brunei e Egito mantêm leis que punem apostasia. No Afeganistão e no Irã, o ateísmo declarado pode significar prisão ou morte. Na Arábia Saudita, promover o pensamento ateísta é classificado como terrorismo. No Paquistão, uma postagem no Facebook questionando o Islã pode desencadear uma acusação de blasfêmia ou um linchamento. Então, quando um pesquisador aparece com uma prancheta perguntando sobre religião, você marca a opção que mantém você vivo.

Como disse um ex-muçulmano: A primeira regra para abandonar o Islã é não falar sobre abandonar o Islã, porque, quando você olha para onde as pessoas podem realmente se expressar livremente, tudo muda. Nos Estados Unidos, 23% das pessoas criadas como muçulmanas abandonaram a religião. Quase uma em cada quatro. No Canadá e na Europa, padrões semelhantes se repetem. Quando muçulmanos vivem em ambientes onde apostasia não lhes causa a morte, um número significativo se afasta.
Mas os números mais chocantes vêm de dentro do próprio mundo islâmico. Em 2020, uma pesquisa anônima com 50 mil iranianos revelou algo extraordinário. Só 32% ainda se identificavam como muçulmanos xiitas, a seita imposta pela teocracia iraniana. Mais de 22% afirmaram não ter religião. Mais de 50%, admitiu que já havia sido religiosa, mas perderam sua fé. Num país onde as estatísticas oficiais afirmam que 99% da população se identifica como muçulmana, metade da população, privadamente, já se afastou. A pesquisa revelou algo ainda mais surpreendente. Quase 60% dos entrevistados afirmaram que não rezam mais. Uma enorme maioria se opôs à mistura de religião com lei e educação. Esse é o Irã, a República Islâmica, onde a constituição declara que o país é governado por Allah, por meio de seus representantes na Terra. Metade da população se afastou da religião. Um analista iraniano foi direto ao ponto:
“Nós, iranianos, somos 98% muçulmanos, exceto na vida privada”.

Então, há a Tunísia: 46% dos tunisianos com menos de 30 anos agora se descrevem como não religiosos. Esse número quase triplicou numa década. Em todo o mundo árabe, o “Barômetro Árabe” registrou uma mudança impressionante. Em 2013, apenas 8% dos árabes se identificavam como não religiosos. Em 2019, esse número saltou para 18%. No Marrocos, na Argélia e na Líbia, os números chegaram aos 20% e 30% entre os jovens. Não se trata de movimentos marginais. Estamos falando de milhões. Então, o que deu errado? O que deu errado é simples:
“Quando a religião se torna o governo, a crença deixa de ser algo pessoal.”
O Irã oferece o estudo de caso mais claro. Em 1979, o Irã se tornou a primeira nação moderna governada por uma teocracia xiita. Os clérigos governam como autoridades políticas. A lei islâmica é a lei do país. A polícia da moral patrulha as ruas, fazendo cumprir os códigos de vestimenta e a devoção pública. Por mais de 45 anos, o regime tentou criar uma sociedade islâmica perfeita por meio do controle e isso saiu pela culatra de forma espetacular. Os filhos e netos da revolução cresceram sob esse sistema. Eles não vivenciaram o Islã como uma bússola moral. Eles o vivenciaram como uma ideologia estatal sufocante, que controla todos os aspectos da vida. Eles viram mulás e autoridades pregarem o sacrifício enquanto viviam em meio a privilégios e corrupção. Eles viram as críticas ao sistema serem silenciadas em nome da defesa da fé. Com o tempo, a própria ideia de um governo islâmico tornou-se tóxica aos olhos deles. Como disse uma mulher iraniana durante o protesto de 2022:
“Eles arruinaram nossa religião ao tentar impô-la a nós”.
As leis que tornavam obrigatório o hijab transformaram a religião num veículo de opressão. Quanto mais o regime intensifica a coerção, mais aliena seu povo. Em 2022, o Irã entrou em erupção. Mahsa Amini, uma jovem, morreu nas mãos da polícia da moralidade por usar o hijab de maneira inadequada. Seguiram-se protestos em todo o país. O slogan:
“Mulher, Vida, Liberdade”.
Multidões queimaram fotos do líder supremo. Mulheres jogaram seus véus islâmicos em fogueiras. Isso não foi só uma rejeição a Allah; foi uma rejeição à tirania clerical. Mas, uma vez que essa distinção é feita coletivamente, o próximo passo surge naturalmente. Se os guardiões do Islã são mentirosos corruptos e viver sob as leis islâmicas traz apenas miséria, talvez a própria religião não valha a pena ser seguida. O mesmo padrão é visível em toda a região.

Na Arábia Saudita, durante décadas, os príncipes da elite impuseram uma moral “wahhabita” rigorosa ao povo. Eles proibiram o cinema, segregaram os gêneros e fiscalizaram o vestuário das mulheres. Enquanto isso, alguns desses mesmos membros da elite levavam uma vida de playboy no exterior. A hipocrisia não passou despercebida aos cidadãos. O Afeganistão sob o Talibã oferece outro extremismo. Desde 2021, o Talibã reimpôs a sharia ultra puritana. Meninas são impedidas de cursar o ensino superior, mulheres são proibidas de exercer a maioria das profissões, as barbas se tornaram obrigatórias, a participação nas orações foi imposta. Tudo isso enquanto a economia afunda e a fome se espalha. Aqueles que podem, fogem, aqueles que não podem resistem silenciosamente. Escolas foram para a clandestinidade, entretenimento proibido é acessado em segredo. Quando o Talibã cair e, eventualmente, cairá, haverá uma geração ainda mais cínica em relação à religião politizada do que antes.
Mas eis o que diferencia esse êxodo dos colapsos religiosos do passado: A maioria das pessoas não pode abandonar abertamente, então elas fazem outra coisa. Vivem vidas duplas: São muçulmanos em público e ateístas em privado. No fórum de ex-muçulmanos do Reddit, mais de 100 mil membros compartilham suas histórias anonimamente. O que começou com algumas centenas se transformou em uma rede global de apoio. Eles documentam as manobras mentais: jejuar durante o Ramadã quando a família está olhando, mas comer às escondidas; participar das orações de sexta-feira para manter as aparências, mesmo sem nada sentir; usar saudações islâmicas e ir a celebrações familiares. Tudo isso enquanto, em particular, rejeitam cada palavra.

Um usuário egípcio escreveu: Venho fingindo há seis anos. Meus pais não fazem ideia. Se descobrissem, eu seria renegado ou algo pior. Outro, do Paquistão: Todos os dias sinto que estou sufocando. Não posso contar a ninguém. A solidão é insuportável. O desgaste psicológico é brutal. Ansiedade, depressão, o medo constante de ser descoberto. A magnitude desse êxodo oculto é impressionante. Pense no que isso significa. Se apenas 10% da população dos principais países muçulmanos se afastou secretamente, isso é várias dezenas de milhões de pessoas, dezenas de milhões vivendo mentiras, dezenas de milhões que repetem as palavras enquanto seus corações já se afastaram.

Para muitos, a internet é a única válvula de escape. Um jovem em uma cidade conservadora secretamente digita no Google tarde da noite:
“Não acredito mais no Islã. O que devo fazer?”
Há uma década, essa busca renderia poucos resultados. Hoje, ela abre as comportas. Canais do YouTube criados por ex-muçulmanos discutem as contradições do Corão. Blogs detalham porque as pessoas se afastaram. Fóruns online oferecem solidariedade. Você não está louco. Você não está sozinho. A internet quebrou o isolamento. Ela destruiu o monopólio que os clérigos detinham sobre a informação.
TheFallOfNations
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NOTA
O texto acima foi extraído das legendas deste vídeo publicado no Youtube.
Luigi Benesilvi
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