Mulher iraniana foi condenada à morte por apedrejamento – Luigi Benesilvi

(28/10/2026)

Em 1986 uma mulher iraniana de 35 anos foi condenada à morte por apedrejamento depois que o marido a acusou de adultério para se livrar dela.

A vítima era Soraya Manutchehri, que vivia numa pequena comunidade rural do Irã. Sua história se tornou conhecida internacionalmente depois que um jornalista investigou as circunstâncias de sua morte e revelou uma sequência de abusos, manipulações e acusações falsas.

Soraya era casada com Ghorban-Ali, que desejava casar com uma mulher mais jovem. Para isso, queria se divorciar de Soraya sem assumir as responsabilidades financeiras que o divórcio exigiria. Soraya, que já enfrentava maus-tratos no casamento e tinha filhos para sustentar, não aceitava as condições impostas pelo marido.

Ela trabalhava realizando tarefas domésticas na casa de um homem viúvo. Cozinhava, limpava e ajudava a manter a residência organizada, mas seu trabalho acabou sendo usado pretexto para uma acusação de infidelidade.

Segundo a investigação realizada posteriormente pelo jornalista franco-iraniano Freidoune Sahebjam, o marido contou com a colaboração de outros homens da comunidade e de uma autoridade religiosa islâmica para apresentar testemunhos falsos contra ela.

A acusação foi levada a uma reunião formada por homens do vilarejo.

A decisão foi brutal: ela seria morta por apedrejamento, para o que seria enterrada até a cintura, para os habitantes da aldeia atirarem pedras nela até sua morte.

A sentença foi baseada no Hadith (tradição islâmica) de Sahih Muslim 1695b (do Livro das Punições Legais/Hudud) e também do hadith Sahih Muslim 4207, que descreve o apedrejamento de uma mulher e de seu amante na época de Maomé.

Como quase tudo no Islã, o assunto do apedrejamento está descrito em diversos hadiths: Sahih Muslim 420, Sahih Muslim 5272, Sahih Muslim 1695b, Sahih Muslim 1691a, Sahih al-Bukhari 6814, Sahih al-Bukhari 5270, Sahih al-Bukhari 5271.

A história poderia ter permanecido desconhecida fora daquela comunidade, mas, aproximadamente duas semanas depois do apedrejamento de Soraya, por acaso, o jornalista Freidoune Sahebjam passou pela região durante uma viagem pelo Irã.

Ali, ele conheceu uma mulher chamada Zahra, tia de Soraya, que decidiu contar o que havia acontecido. Seu testemunho levou o jornalista a investigar o caso mais profundamente.

Em março de 1987, Sahebjam retornou à comunidade para ouvir outras pessoas e reconstruir os acontecimentos. Por questões de segurança, decidiu não revelar a localização verdadeira do vilarejo, utilizando o nome fictício Kupayeh em sua obra.

Em setembro de 1990, o jornalista publicou na França o livro “La femme lapidée”, (A mulher apedrejada) no qual apresentou a história baseada nos depoimentos que havia reunido.

Anos depois, o relato inspirou o filme “O Apedrejamento de Soraya M”, dirigido por Cyrus Nowrasteh, que levou a história ao conhecimento de um público muito maior.

O caso se tornou um símbolo das consequências que acusações de adultério, desigualdades de poder e processos sem garantias adequadas de defesa podem ter sobre a vida de uma mulher.

Seu marido queria começar uma nova vida com outra mulher mais jovem e Soraya acabou perdendo a própria vida depois de ser acusada de um crime que não teria cometido, conforme a investigação jornalística.

Luigi Benesilvi

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NOTA

Fonte: Freidoune Sahebjam, “La femme lapidée” (1990), obra que inspirou o filme “O Apedrejamento de Soraya M.” As fotos inseridas no texto acima são cenas do filme, pois o apedrejamento real não foi fotografado. Casos de punições severas são ainda praticadas em países de maioria muçulmana. Alguns desses casos estão relatados no artigo “Práticas Primitivas Bárbaras no Islã”, que pode ser lido neste link, onde podem ser vistos vídeos e fotos dessas punições bárbaras, como açoitamento e corte de mãos e pés.

Luigi Benesilvi

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