Força Criadora do Universo Não Anseia Por Adoração

(10/10/2021)

Em 1972 a NASA lançou ao espaço a nave Pioneer 10, contendo uma placa de ouro com diversas informações sobre a Terra e seus habitantes, na esperança de que alguma civilização extraterrestre a encontre e entre em contato conosco.

Passados quase 50 anos, a nave ainda está começando a alcançar o limite do sistema solar, mas ainda levará mais de 10 mil anos para sair completamente da influência do sol e entrar no espaço interestelar, encaminhando-se em direção à constelação de Touro.

Essa ação romântica foi promovida por um grupo de astrônomos, entre os quais encontrava-se o popular Karl Sagan (falecido em 1966), criador da série Cosmos, muito popular na segunda metade do século 20.

Com a descoberta da inexistência de vida inteligente na Lua, Marte e outros planetas do sistema solar, cientistas continuaram com a ideia romântica de encontrar vida inteligente e dedicam centenas de milhões de dólares com essa finalidade, entre os quais encontra-se o projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence), para “escutar” emissões de rádio indicando a existência de vida inteligente em outros sistemas estelares.

Também usam outros meios para descobrir planetas em outros sistemas estelares e já identificaram centenas deles orbitando outras estrelas da Via Láctea.

Todos esses esforços parecem fadados a servirem apenas para a agregação de conhecimento, sendo infinitesimal a possibilidade de haver qualquer tipo de identificação ou contato com civilizações extraterrestres num futuro próximo. Essa baixíssima possibilidade é explicada cientificamente pelo “Paradoxo de Fermi”.

O Paradoxo de Fermi é definido como sendo “o conflito entre a expectativa de alta probabilidade de existência de vida inteligente em alguma parte do universo e a aparente inexistência de vida que de fato verificamos na parte do universo por nós observável”.

Cientistas explicam que a expectativa de que o universo deveria estar cheio de vida inteligente é devido ao modelo das equações de Drake, que sugere que apesar da baixa probabilidade da existência de vida em uma determinada parte do universo, ela deve existir em uma ou outra parte dele, por causa da incontável quantidade de locais potencialmente propícios à existência de vida.

Uma das explicações desse paradoxo é que as civilizações podem não durar mais de um milhão de anos, por serem extintas por algum fenômeno natural, como o choque de um meteoro, por variações ambientais, vulcanismo ou a autodestruição por guerras com armas de alta capacidade destrutiva.

No período da existência de vida civilizada de menos de um milhão de anos, a capacidade de criação de eventos detectáveis pode não ser muito maior de dez mil anos.

Nas escalas astronômicas da existência do Universo, a probabilidade da existência simultânea de duas ou mais civilizações com capacidade de detectar a existência de outras civilizações nas mesmas condições tecnológicas, em regiões próximas a uma ou outras é quase insignificante.

Tudo parece insignificante diante da vastidão do Cosmos, exceto para os humanos, que se maravilham com suas descobertas de um ínfima parte do imenso Universo.

Esses são alguns dos motivos, pelos quais penso que essa “Força Criadora” não é provida de uma consciência parecida ou compreensível para nós e que os seres humanos são para ela, criaturas que por acaso evoluíram um pouco mais do que as bactérias.

A maioria dos humanos, inclusive eu, chamam essa “Força Criadora” de Deus.

Imagino que para essa “Força Criadora”, considerando o incomensurável tamanho do Universo, os seres humanos são mais ínfimos do que nós consideramos as bactérias, praticamente invisíveis no contexto do tamanho do globo terrestre.

Desde os primórdios da humanidade, embora Ele esteja em todos os lugares do Universo, quando falavam de Deus, apontavam para o alto.

Com a ampliação do conhecimento do Cosmos, não cabe mais existir a imagem racional de que Deus está nesse “céu”, um pouco acima das nuvens. Sobrou então o conceito geral de que Deus está em todos os lugares do Universo.

Mas daí vem a pergunta: “Então, onde fica o paraíso?“

Penso que a humanidade é uma exceção no Universo, pois os astrônomos descobriram recentemente que a maior parte dos bilhões e bilhões de planetas giram em torno de mais de uma estrela, o que dificulta e existência de vida, em razão das extremas diferenças gravitacionais a que os planetas são submetidos, quando suas órbitas os levam a passar perto de alguma dessas estrelas.

Depois de perceber nossa insignificância, escrevi um parágrafo sobre o que penso das religiões, que embora sejam úteis na orientação e apaziguamento das mentes dos fiéis, podem não estarem baseadas na realidade cósmica.

Acredito que boa parte das religiões exercem um papel importante ao darem um sentido transcendental para a vida das pessoas, principalmente para aquelas que estão sofrendo muito por causa de doenças, problemas financeiros, conflitos nas comunidades, perseguição religiosa, opressão de regimes autoritários e outras maldades praticadas por seres não muito humanos. Para sentir o impacto do texto, enviei-o para um amigo católico, perguntando como ele se sentia ao lê-lo.

Ele respondeu: “Sinto-me chocado, pois isso é uma enorme heresia”.

O texto é este:

“Imagino que a Força Criadora e mantenedora do Universo, não anseia por adoração das insignificantes criaturas que ela mesma criou. Por isso penso que as religiões monoteístas estão igualmente no nível das religiões politeístas.”

Isso não quer dizer que não devemos viver na prática das virtudes cardeais de prudência, temperança, ética, fortaleza, esperança, justiça, compaixão, caridade e solidariedade.

Parte desta reflexão é fruto da desilusão com a aproximação que assisto do Papa e muitos prelados católicos com o comunismo, uma ideologia perversa e com o islamismo, uma religião perversa.

Continuo sendo Cristão, não necessariamente Católico, pois vejo os evangélicos muito mais engajados na defesa da Fé Cristã.

Luigi Benesilvi

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NOTA

Hesitei algum tempo para publicar este artigo. Até mudei a ordem dos parágrafos para reduzir o impacto sobre as pessoas religiosas, que podem sentir-se ofendidas pela heresia que posso estar cometendo. Mas, enfim, é a conclusão que cheguei.

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