É impossível fazer contato com seres extraterrestres inteligentes – Sir David Attenborough

(07/05/2026)

Se alienígenas inteligentes existem em algum lugar da galáxia, a física do universo pode garantir que eles nunca consigam chegar à Terra.

Não porque não tenham vontade, nem por falta de inteligência. Mas porque as distâncias entre as estrelas são tão absurdamente, irracionalmente grandes, que atravessá-las exigiria mais energia que a maioria das civilizações jamais poderia produzir. A velocidade da luz não é uma sugestão. É uma parede. E tudo o que sabemos sobre física indica que essa parede não pode ser quebrada.

Esta não é uma questão sobre se os alienígenas existem.

Existem cerca de 200 bilhões de estrelas na Via Láctea. Pesquisas de exoplanetas da NASA sugerem que pelo menos 20% das estrelas semelhantes ao Sol abrigam um planeta do tamanho da Terra, na zona habitável, o que significa a existência de bilhões de mundos potencialmente habitáveis. Alguns orbitam estrelas bilhões de anos mais velhas que o Sol, o que significa que quaisquer civilizações que tenham surgido nelas tiveram uma enorme vantagem inicial.

E, no entanto, ninguém veio. Ninguém enviou qualquer sinal.

Em 1950, o físico Enrico Fermi almoçava com colegas no Laboratório Nacional de Los Alamos e falavam sobre a existência de alienígenas e ele fez uma pergunta que ainda não tem resposta.

“Então, onde estão todos eles?”

Uma possibilidade é que a viagem interestelar simplesmente não seja possível. Não impraticável, não improvável, mas fisicamente impossível, para qualquer civilização, por mais avançada que seja. E as razões não são exóticas. São básicas. Energia, tempo e a própria estrutura do espaço.

A estrela mais perto do Sol é a “Proxima Centauri“. Ela fica a 4,24 anos-luz de distância. Esse número parece administrável, até você o converter numa distância que seu corpo possa sentir. Um ano-luz equivale a aproximadamente 9,4 trilhões de quilômetros. Proxima Centauri fica a cerca de 40 trilhões de quilômetros de distância.

A espaçonave Voyager 1, o objeto mais rápido que a humanidade já lançou ao espaço numa trajetória sustentada, viaja a aproximadamente 61 mil km/h. A essa velocidade, levaria aproximadamente 73 mil anos para chegar a Proxima Centauri. Isso é mais tempo do que toda a civilização humana registrada. E Proxima Centauri é a estrela mais perto.

A galáxia tem 100 mil anos-luz de diâmetro. Se o Sol tivesse o tamanho de uma bola de basquete situada na cidade de Nova York, Proxima Centauri seria outra bola de basquete no Havaí. E o espaço entre elas estaria vazio. Essas distâncias não são um problema técnico. São uma característica estrutural do universo. Estrelas não estão localizadas perto umas das outras. Elas estão separadas por vazios tão vastos, que a própria luz, a coisa mais rápida permitida pela física, leva anos para atravessá-los.

Qualquer civilização alienígena enfrenta essa mesma geometria. Seu vizinho mais perto fica a anos de distância, à velocidade da luz. Fica a décadas de distância a qualquer fração plausível da velocidade da luz. E a milênios de distância, nas velocidades que alcançamos atualmente.

Mas a velocidade não é o verdadeiro problema.

O verdadeiro problema é o que custa ir rápido. E o custo não é medido em dinheiro. É medido em energia. O tipo de energia que faz com que o problema pareça permanente.

A teoria da “Relatividade Especial“, publicada por Albert Einstein, em 1905, estabelece que nada com massa pode atingir a velocidade da luz. À medida que um objeto acelera em direção à velocidade da luz, sua massa relativística aumenta. Quanto mais rápido ele vai, mais energia é necessária para acelerá-lo além.

A 90% da velocidade da luz, a energia necessária já é enorme. A 99%, é muito pior. E a 100%, é infinita. Isso não é uma limitação tecnológica. É uma lei da física. Nenhum material, nenhum motor, nenhuma fonte de combustível muda isso.

A velocidade da luz é o teto rígido do universo.

Para entender o que isso significa na prática, considere um cenário modesto. Uma espaçonave com massa de um carro grande, cerca de 2.000 kg, acelerando apenas 10% da velocidade da luz. A essa velocidade, a viagem até Proxima Centauri levaria cerca de 42 anos. Ainda é o tempo de uma vida humana, mas é concebível. A energia cinética necessária para acelerar 2.000 kg a 10% da velocidade da luz é de aproximadamente 9×10 elevado à potência 17, joules. Isso equivale, a grosso modo, à produção total de energia de uma grande usina nuclear operando continuamente por 30 anos. Isso para uma única pequena nave espacial, sem tripulação, sem suporte de vida, sem combustível de desaceleração.

Uma nave tripulada precisaria de suporte de vida, blindagem contra radiação, comida, água e combustível suficiente para desacelerar no destino. Estimativas realistas colocam a massa necessária em dezenas de milhares de toneladas. A energia necessária para acelerar essa massa até mesmo a uma fração modesta da velocidade da luz, excede o consumo total anual de energia da civilização humana em várias ordens de magnitude.

A equação do foguete agrava ainda mais a situação.

Qualquer foguete deve carregar seu próprio combustível. E o combustível tem massa, o que requer mais combustível, que tem mais massa. Essa penalidade exponencial significa que, para missões de alta velocidade, a relação combustível/carga útil se torna absurda.

A propulsão por fusão melhora os números. A propulsão por antimatéria melhora ainda mais. Mas mesmo a antimatéria apresenta problemas devastadores. A quantidade total já produzida na Terra em todos os aceleradores de partículas combinados é de aproximadamente 20 nanogramas. Armazená-la requer contenção magnética, para que nunca toque a matéria normal. Escalar isso para as toneladas necessárias para uma missão interestelar não é um desafio de engenharia.

É uma fantasia.

Qualquer civilização alienígena enfrenta essas mesmas equações. A física não muda do outro lado da galáxia. As leis de Einstein se aplicam em todos os lugares. A barreira energética é universal.

Suponha por um momento que uma civilização alienígena resolva o problema energético. Suponha que construam uma nave espacial capaz de manter 10% da velocidade da luz por décadas.

O que eles encaram?

Uma viagem só de ida até a estrela mais próxima leva 42 anos. Uma viagem de ida e volta leva 84. Se o destino for uma estrela a 50 anos-luz de distância. Ainda dentro de nossa vizinhança estelar imediata. A viagem leva 500 anos em cada sentido. Mil anos de ida e volta. A vida de nenhum indivíduo dura tanto tempo.

O conceito de uma nave geracional, uma embarcação grande o suficiente para sustentar uma população reprodutiva por centenas de anos, introduz problemas de colapso social, gargalo genético e falhas mecânicas ao longo de escalas de tempo, que nenhuma máquina jamais foi testada para isso.

A dilatação relativística  do tempo oferece uma saída parcial. A 90% da velocidade da luz, o tempo a bordo da nave passa a cerca de 44% da taxa vivida por aqueles que ficaram para trás. Uma viagem de 100 anos-luz levaria cerca de 111 anos, no referencial da civilização de origem, mas apenas 49 anos para a tripulação. Isso ajuda, mas a tripulação ainda assim envelhece 49 anos. A civilização que deixaram para trás avança 111. A comunicação com o lar torna-se cada vez mais atrasada e, eventualmente, sem sentido.

E 90% da velocidade da luz não é uma meta realista.

Mesmo uma civilização que aproveitasse toda a energia de sua estrela natal estaria dedicando uma fração significativa de seu orçamento energético estelar, para enviar uma única nave numa única viagem.

O resultado é uma espécie de prisão temporal.

Mesmo que você consiga atravessar distâncias interestelares, o tempo necessário isola você de tudo o que deixou para trás. Você chega a um futuro que não lembra de você. Você não pode retornar ao presente, de onde você partiu.

A viagem interestelar, mesmo quando funciona, é uma forma de exílio.

O espaço entre as estrelas não está vazio. Ele está repleto de gás, poeira e partículas de alta energia. Em velocidades relativísticas, essas se tornam letais. Um grão de poeira com massa de 1 mg, parado no meio interestelar, impactaria uma nave espacial, viajando a 10% da velocidade da luz, com energia cinética de uma bomba. A 50% da velocidade da luz, a energia aumenta dramaticamente. A 90%, um único grão de poeira carrega a energia cinética de muitas toneladas de TNT.

O meio interestelar contém aproximadamente um átomo de hidrogênio por centímetro cúbico. Em velocidades relativísticas, esses átomos se transformam num fluxo contínuo de radiação, atingindo a superfície dianteira da nave espacial. A 50% da velocidade da luz, a energia de cada próton que chega, está na faixa de centenas de MeV. Isso não é clima. É um acelerador de partículas apontado para o casco da espaçonave.

A blindagem contra isso requer massa. Massa requer mais combustível. Mais combustível, requer mais energia.

O problema se agrava.

Robert Brossard propôs uma solução, em 1960: O “Interstellar Ramjet”, que coletaria hidrogênio do meio interestelar e o usaria como combustível de fusão. Na prática, uma análise de 2021, realizada por Peter Schattschneider, no Instituto de Tecnologia de Viena mostrou que o “funil” magnético necessário teria de ser absurdamente grande e o arrasto causado pela captação de material em alta velocidade anularia parcialmente o impulso. O “Ramjet” é fisicamente viável, mas praticamente inútil.

Qualquer espécie alienígena que tente a viagem interestelar enfrenta o mesmo meio interestelar, a mesma poeira, a mesma radiação. Os perigos estão incorporados na estrutura da galáxia.

Em 1961, o astrônomo Frank Drake, escreveu uma equação para estimar o número de civilizações detectáveis na Via Láctea. A “Equação de Drake” multiplica fatores, que incluem a taxa de formação estelar, a fração de estrelas com planetas, a fração de planetas que desenvolvem vida, a fração que desenvolve inteligência e o tempo durante o qual uma civilização permanece detectável.

A equação de Drake nunca teve a intenção de produzir uma única resposta.

Seu objetivo era organizar nossa ignorância. Mas mesmo estimativas conservadoras, usando os valores mais pessimistas para cada variável, tendem a produzir números maiores que um.

A galáxia deve conter pelo menos algumas civilizações capazes de sinalizar sua existência. Estamos à escuta desde 1960, quando o próprio Drake apontou um radiotelescópio para duas estrelas próximas no Projeto Ozma. O SETI vem operando de várias formas há mais de 65 anos. A iniciativa Breakthrough Listen, financiada por Yuri Milner, em 2015 com 100 milhões de dólares, examinou um milhão de estrelas próxima e 100 galáxias próximas, usando o telescópio de Green Bank e o telescópio de Parkes, na Austrália.

E nada!

Nenhum sinal, nenhum padrão, nenhuma estrutura repetitiva em qualquer banda de frequência que não pudesse ser explicada por fenômenos naturais. Em 2020, um sinal candidato vindo da direção de Proxima Centauri, designado BLC1, animou brevemente os pesquisadores da Breakthrough Listen, antes de ser identificado como interferência de rádio terrestre.

65 anos de escuta e o silêncio é total.

Esse silêncio tem um nome. Às vezes é chamado “O Grande Silêncio”. E ele pesa mais do que qualquer descoberta isolada na história da astronomia.

Porque não é a ausência de dados, ele próprio é o dado. O silêncio nos diz algo. A questão é:

O quê?

Robin Hanson, economista da Universidade George Mason, propôs em 1998 que esse silêncio implica na existência do que ele chamou de “O Grande Filtro“. Em algum ponto entre o surgimento de vida e o desenvolvimento de uma civilização interestelar, algo extingue quase todas as espécies. O filtro pode estar atrás de nós; nesse caso, a vida complexa é muito mais rara do que supomos. Ou pode estar à nossa frente, caso as civilizações tendam a se autodestruir antes de alcançarem as estrelas.

Se alienígenas inteligentes existem nesta galáxia e os números sugerem, provavelmente existem, então eles estão quase certamente presos da mesma forma que nós estamos presos pela geometria do universo, pela velocidade da luz, pelos custos energéticos da aceleração, pelo tempo necessário para atravessar até mesmo as distâncias interestelares mais curtas e pelos perigos que preenchem o espaço entre as estrelas.

Isso não significa que a galáxia esteja morta.

Significa que a galáxia pode estar cheia de vida que nunca poderá se encontrar. Civilizações separadas por dezenas ou centenas de anos-luz, cada uma olhando para o mesmo céu, cada uma fazendo a mesma pergunta que Fermi fez em 1950.

“Onde estão todos eles?

A resposta pode ser a mais simples e a mais inquietante possível.

“Todos eles estão em casa”.

Todos sempre estiveram em casa. Porque o universo não foi feito para viagens. Ele foi feito para distanciamento. Você pode sair hoje à noite e olhar para as estrelas. Cada uma delas é um sol. Algumas são orbitadas por mundos não tão diferentes deste. Em alguns desses mundos, nesse exato momento, alguém pode estar olhando de volta para a estrela dele e perguntando a mesma coisa que você está perguntando.

“Por que ninguém veio?”

A resposta pode ser porque ninguém pode. Que as distâncias entre as estrelas não são problemas a serem resolvidos, mas limites a serem aceitos. Que o universo deu à vida a capacidade de se perguntar sobre seus vizinhos e então, colocou esses vizinhos permanentemente fora de alcance. E a distância, na escala das estrelas, pode ser permanente.

Sir David Attenborough

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NOTA

O texto acima foi extraído das legendas deste vídeo publicado no Youtube.

Luigi Benesilvi

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