O Corão pode ter sido a causa da primeira intervenção militar internacional dos Estados Unidos – Luigi Benesilvi
(16/06/2026)
A primeira guerra travada pelos Estados Unidos depois de sua independência foi contra uma nação muçulmana do norte da África.

Em 1786, Thomas Jefferson e John Adams reuniram-se em Londres com Sidi Haji Abdrahaman, representante diplomático do emirado de Trípoli. Os Estados Unidos queriam negociar o fim dos ataques aos navios americanos pelos “Estados da Barbária” (atuais Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia).
Os piratas muçulmanos controlavam parte do Mar Mediterrâneo, onde costumavam atacar e capturar navios mercantes e suas tripulações, extorquindo nações ocidentais com pagamento de resgates.
A maioria das grandes potências, inclusive os EUA, costumavam pagar tributos anuais para que os piratas não atacassem seus navios.

Numa carta de 28 de março de 1786 ao Congresso Americano, Thomas Jefferson explicou a origem da hostilidade dos piratas berberes da Barbária.
“Tomamos a liberdade de fazer algumas perguntas ao embaixador sobre os motivos de suas pretensões de declarar guerra a nações que não lhes causaram qualquer dano. E observamos que considerávamos toda a humanidade como nossos amigos, que não nos fizeram nenhum mal nem nos provocaram.
O embaixador nos respondeu que isso se baseava nas leis do profeta deles, que estava escrito no Corão, que todas as nações que não reconhecessem autoridade deles eram pecadoras; que era seu direito e dever declarar guerra contra elas onde quer que fossem encontradas e escravizar todos os que pudessem ser feitos prisioneiros e que todo muçulmano que fosse morto em batalha, era certo que iria para o paraíso.”
Depois disso, os Estados Unidos decidiram não pagar mais o tributo extorsivo aos piratas muçulmanos em troca de não atacarem seus navios.

Anos mais tarde, já como presidente dos EUA, Thomas Jefferson enviou a recém-criada marinha americana para combater e derrotar os piratas, no que foi chamada de “Guerras da Barbária” (1801–1805).
O exemplo americano encorajou outras nações ocidentais a não mais ceder à chantagem dos piratas e também passaram a combatê-los, pois além de atacar navios, os piratas costumavam atacar as regiões costeiras das nações europeias.
Calcula-se que mais de um milhão de pessoas europeias tenham sido capturadas e levadas para os mercados de escravos do norte da África.
Luigi Benesilvi
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NOTA
O texto acima usou como fonte principal este artigo de Christopher Hitchens, “Jefferson’s Quran: What the founder really thought about Islam”.
Luigi Benesilvi
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