Não se pode confiar numa religião que tem uma doutrina institucional de enganação – Peter Townsend
(18/08/2026)
Quando se trata de ética e moralidade, a maioria das pessoas colocaria a honestidade entre os valores mais importantes.

A relação do Islã com a verdade e a honestidade é bastante complexa, mas podemos, no mínimo, afirmar que os muçulmanos não são obrigados a dizer a verdade em todas as circunstâncias e que a enganação, por vezes, é ativamente incentivada.
Isso ocorre porque Maomé defendia um sistema ético cuja questão norteadora é:
“O que será bom para o Islã nessas circunstâncias?”.
A questão norteadora, portanto, não é “O que é verdade?”.
Por isso, é perfeitamente permitido falar mentiras e meias-verdades, especialmente se forem ditas a não-muçulmanos, caso isso possa servir aos interesses do Islã.
O princípio de usar a enganação para promover interesses islâmicos está firmemente estabelecido no Corão.

Os seguintes textos formam a base da doutrina da “Taqiyya” (dissimulação ou enganação) como parte aceitável da moralidade islâmica:
“Quem, depois de ter crido em Allah, renegar a fé, exceto em caso de compulsão, mantendo seu coração firme na fé, mas aqueles que confessam a incredulidade, sobre eles recairá a ira de Allah e sobre eles haverá um castigo terrível.” (Corão 16:106)
Esse verso estabelece o princípio de que um muçulmano pode mentir sobre ser muçulmano se acreditar que será prejudicado caso sua identidade muçulmana seja revelada. O Corão 40:28 fornece um exemplo de alguém que ocultou sua fé dessa maneira.
“E um homem fiel, da família do Faraó, que ocultava a sua fé, disse: Mataríeis um homem tão somente porque diz: Meu Senhor é Allah, não obstante ter-vos apresentado as evidências do vosso Senhor? Além do mais se for um impostor, a sua mentira recairá sobre ele; por outra, se for veraz, açoitar-vos-á algo daquilo com que ele vos ameaça. Em verdade, Allah não encaminha alguém que é transgressor ou mentiroso.” – (Corão 40:28)
Como veremos, esse princípio é estendido nos “hadiths” ao que poderia ser chamado de enganção ofensiva, que consiste em ganhar a confiança das pessoas fingindo não ser muçulmano e depois prejudicá-las.
Por exemplo:
“Esse é um anúncio de Allah e Seu Mensageiro, ao povo reunido no dia da Grande Peregrinação, de que Allah e Seu Mensageiro dissolvem as obrigações de tratados com os pagãos.” – (Corão 9:3)
Esse verso é de tirar o fôlego em seu cinismo. Tratados solenes, provavelmente jurados em nome de Allah, são simplesmente dissolvidos ao declarar que Allah e Maomé estão livres de obrigações para com os descrentes. Isso estabelece o princípio de que tratados, juramentos e promessas só precisam ser cumpridos se forem vantajosos para os muçulmanos. Se uma vantagem puder ser obtida desconsiderando tais obrigações, a oportunidade deve ser aproveitada em nome do Islã.

Além disso, os muçulmanos têm a garantia de que Allah não lhes imputará “imprudência nos juramentos”. (Corão 2:225)
“Allah não vos recriminará por vossos juramentos involuntários; porém, responsabilizar-vos-á pelas intenções dos vossos corações. Sabei que Allah é Tolerante, Indulgentíssimo.” – (Corão 2:225)
O Corão afirma ainda:
“Que os crentes não tomem por amigos ou protetores os descrentes em vez dos crentes. Se alguém assim fizer, não haverá auxílio de Allah, a não ser por precaução, para que vos protejais deles.” (Corão 3:28)
Esse é o infame verso que ordena aos muçulmanos que não façam amizade com não muçulmanos. Há, contudo, uma importante exceção. Eles podem fazer amizade com eles “por precaução “, como forma de “se protegerem deles”. Esse texto é amplamente interpretado como ensinando que os muçulmanos podem fingir ser amigos de não muçulmanos, como forma de salvaguardar sua própria posição na sociedade.

O que todos os versos citados acima têm em comum é que ensinam aos muçulmanos que a verdade não é algo fixo, mas que a mentira e a enganação podem, por vezes, ser usados para o bem do Islã.
Essa conclusão é fortemente corroborada pelos “hadiths”, onde são apresentados inúmeros exemplos de muçulmanos sendo elogiados por ações enganosas que fortaleceram a causa islâmica.

Alguns exemplos:
O Sahih Bukhari (52:269) cita Maomé dizendo: “A guerra é enganação”. Os “hadiths” seguintes mostram como o princípio do uso da enganação na guerra pode ser aplicado. O Sahih Bukhari (52:271) é particularmente revelador:
“O profeta disse: Quem está pronto para matar o judeu Ka’b bin Ashraf? Maomé bin Maslama respondeu: Você quer que eu o mate? O profeta respondeu afirmativamente. Maomé bin Maslama disse: Então permita-me dizer o que eu quiser. O profeta respondeu: Eu permito.”
Um dos seguidores de Maomé pediu permissão para mentir e esta lhe foi concedida imediatamente.
O que aconteceu a seguir é descrito em Sahih Bukhari (53:369).
“Bin Maslama dirige-se à pessoa marcada para morrer e finge estar profundamente desiludido com o profeta. Dessa forma, conquista a confiança de Ka’b bin Ashraf e é admitido em seu círculo íntimo. Após a ‘amizade’ estar firmemente estabelecida, Maslama pergunta a Ka’b se lhe consente sentir o perfume de seus cabelos, um ato que só pode acontecer entre amigos de confiança. Confiando em seu ‘amigo’, Ka’b permite e é imediatamente agarrado e morto!”
Maomé permitiu que seus seguidores firmassem tratados de paz com base em informações falsas. Esse princípio é mencionado em Sahih Bukhari 49:857:
“Narrado por Um Kulthum bint Uqba: Que ouviu o Mensageiro de Allah dizer: Aquele que faz a paz entre as pessoas inventando boas informações ou dizendo boas coisas, não é mentiroso.”
A ideia de que mentir é perfeitamente aceitável em certas circunstâncias não se aplicava apenas às relações com não-muçulmanos. Maridos e esposas também podem mentir um para o outro em prol do relacionamento. Não se explica como esse tipo de enganação pode levar a bons resultados:
“Ibn Shihab disse não ter ouvido que as permissões das pessoas mentirem tivessem sido feitas além de 3 ocasiões:
– Em guerras, para enganar o inimigo;
– Para reconciliação de pessoas envolvidas em disputas;
– Em palavras narradas ou ao outro pelos cônjuges, de forma a trazer reconciliação entre eles”. – (Sahih Muslim 33:3603)
As citações dos textos islâmicos apresentadas acima devem deixar a nítida impressão de que a relação entre os ensinamentos islâmicos e o conceito de verdade é, no mínimo, complexa. O que devemos pensar de uma religião que se apresenta como um caminho virtuoso, mas cujos seguidores são incentivados a mentir e enganar para servir aos propósitos dessa mesma religião?
Peter Townsend
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NOTA
O texto acima é a tradução deste artigo de Peter Townsend, publicado no Substack.
Devo acrescentar que os devotos muçulmanos devem fazer tudo o que Maomé falou, fez ou presenciou, conforme está escrito no Corão ou está mencionado no Hadith (coleção de narrativas descritas por pessoas que conviveram com Maomé ou que ficaram sabendo por outros que, por sua vez, as teriam ouvido de alguém confiável ou souberam por alguma pessoa que teria ouvido de um dos companheiros do profeta). É assim mesmo, muito complicado e pouco confiável, mas faz parte das obrigações dos devotos.
Luigi Benesilvi
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