O embate diário da força de vontade contra a preguiça – Luigi Benesilvi

(16/06/2022)

“Dizem que o mundo pertence a quem acorda cedo. Não é verdade. Pertence a quem é feliz por levantar-se” – Mônica Vitti

Ao ler essa mensagem da atriz italiana Mônica Vitti, lembrei-me de uma história que li num dos meus primeiros livros de alfabetização.

A história era sobre dois irmãos, José e João, que viviam na zona rural, filhos de agricultores.

José tinha o hábito de levantar logo que acordava, não cedendo ao apelo da preguiça, que queria retê-lo debaixo das cobertas quentinhas naqueles dias frios de inverno. Num átimo de tempo sua força de vontade superava a preguiça e o fazia levantar-se.

Serenamente, fazia suas abluções matinais e ia tomar o desjejum que a mãe dele já tinha preparado, ainda sobrava um tempinho para uma revisão da lição de casa e corrigir alguma coisa que lhe tinha escapado quando tinha feito o dever no dia anterior. Tudo isso enquanto esperava o irmão se aprontar para irem à escola.

Já o João não gostava de levantar logo. Ficava mais tempo na cama, cedendo ao apelo do conforto das cobertas quentinhas. Chamado mais tarde pela mãe, levantava correndo, comia rapidamente e corria para ir à escola.

Ao chegar em casa, depois da escola, José logo fazia sua lição, enquanto João deixava para fazê-la mais tarde.

Durante a tarde, os dois tinham que ajudar seus pais nos afazeres diários da lavoura.

Ao fazer seus deveres, à noite, João já estava sonolento pelo cansaço e não tinha condições de fazê-los bem feitos.

Quando mais tarde na vida, cada um tinha seu trato de terra para cultivar, José preparava seus produtos logo cedo para vendê-los na feira, quando os preços estavam mais altos e conseguia vendê-los a bom preço.

João costumava chegar na feira mais tarde, quando os maiores compradores já tinham adquirido suas mercadorias e ido embora, só tendo ficado os compradores menores, que costumavam pechinchar muito os preços. João só conseguia vender seus produtos a preços menores.

Assim foi sempre na vida dos dois irmãos, que haviam tomado caminhos diferentes depois de crescidos. O que tinha que fazer, José fazia logo e João deixava para fazer mais tarde”

Como João preferiu ir para uma cidade maior, vendeu sua parte das terras para José.

Anos mais tarde, José estava bem casado, com vários filhos e já era um comerciante bem-sucedido, com vários estabelecimentos nas cidades das redondezas, recebeu a visita de seu irmão.

Depois dos cumprimentos e abraços, João disse:

– Você tinha razão, José, eu devia ter seguido seu exemplo e dedicado mais tempo a meus afazeres. Sempre deixei minha força de vontade ceder ao apelo da preguiça. Nunca aprendi uma profissão estável, pulei de emprego em emprego na cidade grande; casei e me separei; perdi a guarda dos filhos; fiz muitas dívidas e estou diante de ti para pedir tua ajuda.

Não lembro bem como terminava a história, mas parece que João havia aprendido a dura lição e daí para frente refez sua vida e começou a progredir, com alguma ajuda de José.

Sei que a história é piegas, mas a li num tempo que as pessoas honestas e trabalhadoras eram mais valorizadas do que hoje em dia. Atualmente os pais de José e João poderiam ser presos ou perder a guarda deles, por fazê-los ajudar no sustento da família.

Nunca tive dúvida que um bom dia produtivo começa por um despertar com disposição de encarar de frente as tarefas do dia.

Mais, tarde, na minha vida profissional, agreguei outro importante conhecimento, que um chefe me ensinou.

É uma parte dos princípios estoicos, que recomenda dedicar mais tempo às coisas sobre as quais você pode interferir, em vez de ficar se queixando dos eventos fora de seu alcance.

Por exemplo, em vez de ficar se queixando quando chove, faz frio, calor ou seca, sobre os quais você não tem controle, o que você pode fazer é abrigar-se melhor da chuva, aquecer-se no frio, refrescar-se no calor e hidratar-se na seca.

Ao saber de algum abuso ou malfeito, não adianta ficar reclamando que “ninguém faz nada”. Tem que ver o que VOCÊ pode fazer a respeito, tipo escrever para algum político, fazer uma publicação nas redes sociais denunciando a ocorrência ou entrando com um processo num Tribunal contra o autor do malfeito.

Procurei fazer isso na maior parte das coisas que tocaram minha vida. Em muitas fui bem-sucedido e em algumas não tanto. Mas, no geral, me ajudaram a enfrentar os diversos contratempos, que acontecem com todos nós.

Comecei a escrever sobre política, moralidade, filosofia, liberdades e contra as muitas safadezas que vêm sendo praticadas por altas autoridades, principalmente do pode legislativo e judiciário.

Escrevi até um texto com algumas dicas de “como divulgar suas ideias sem gastar (muito) dinheiro”, que pode se lido neste link.

Enfim, estou fazendo o pouco que posso para melhorar as condições de vida de minha família e das pessoas do meu país.

Luigi Benesilvi

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